José Antonio Kast é eleito presidente do Chile e adota tom conciliador em primeiro discurso

Candidato de direita superou a ex-ministra Jeanette Jara com mais de 58% dos votos; segurança pública e controle migratório foram temas centrais da campanha.
Compartilhe:
José Antonio Kast, líder do Partido Republicano, foi eleito neste domingo (14) o novo presidente do Chile. O candidato de direita obteve mais de 58% dos votos no segundo turno, superando a candidata de esquerda Jeanette Jara, segundo dados do Serviço Eleitoral (Servel). Em sua primeira fala como presidente eleito, Kast surpreendeu ao adotar um tom apaziguador, distanciando-se da polarização e pedindo união nacional.

"Serei o presidente de todos os chilenos", declarou Kast ao subir ao palco na noite de domingo, classificando a data como um "dia incrível". Dirigindo-se à oposição, enfatizou a necessidade de esforço conjunto: "Se vamos combater o crime organizado, precisamos de vocês também".

O discurso foi marcado por um pedido de respeito à adversária derrotada. Ao mencionar que possui "profundas diferenças" com Jeanette Jara, o público presente começou a vaiar a candidata de esquerda. Kast interrompeu as manifestações imediatamente.

"Quero lhes pedir algo muito especial. Quero pedir um momento de profundo respeito e silêncio. Um governo tem partidários e tem oposição. Isso é normal. É legítimo", afirmou. "Respeito e silêncio vão marcar nossa gestão de governo. Podemos ter diferenças, e duras (...) porém se estimamos a violência, se estimamos os gritos exagerados, é muito difícil que saiamos à frente."

O presidente eleito reforçou que os problemas reais da população, como a segurança, não possuem "cor política" e prometeu impulsionar um acordo nacional, afirmando que o Estado "não é um espólio".


Montagem mostra os candidatos à Presidência do Chile, Jeanette Jara e José Antonio Kast — Foto: EITAN ABRAMOVICH / AFP

O Fator Segurança
A vitória de Kast confirma a tendência de alternância de poder entre direita e esquerda que ocorre no Chile desde 2010. Embora Jeanette Jara – ex-ministra do Trabalho do atual governo de Gabriel Boric – tenha vencido o primeiro turno, a soma dos votos da direita já indicava uma maioria, impulsionada principalmente pela pauta da segurança pública.

Apesar de o Chile ainda ser considerado um dos países mais seguros da região, a percepção de insegurança disparou. Segundo o instituto Ipsos, 63% da população aponta a criminalidade como principal preocupação. As estatísticas corroboram o medo: os homicídios cresceram 140% em dez anos e o país registrou 868 sequestros em 2024, uma alta de 76% em relação a 2021.

Kast, de 59 anos, capitalizou sobre esses números com promessas de "mão dura". Ele promete que, "para os delinquentes, a vida vai mudar", defendendo leis mais rígidas, maior poder de fogo para a polícia e o envio de militares para áreas críticas.

No âmbito migratório, sua proposta mais polêmica é o "escudo fronteiriço", que inclui a construção de um muro na fronteira com a Bolívia, a escavação de trincheiras e a mobilização de 3.000 militares para conter a entrada ilegal. O plano prevê ainda a expulsão de cerca de 340 mil imigrantes sem documentos. Com sua posse, Kast será o presidente mais à direita a governar o país desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, em 1990.

Reações e Diplomacia
A candidata derrotada, Jeanette Jara, reconheceu o resultado rapidamente. "A democracia falou forte e claro. Acabo de falar com o presidente eleito José Antonio Kast para desejar-lhe êxito pelo bem do Chile", escreveu ela na rede social X.

No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou Kast pelas redes sociais, sinalizando a manutenção da diplomacia pragmática. "Faço votos de pleno êxito ao presidente eleito no desempenho de seu futuro mandato", publicou Lula.

O mandatário brasileiro reforçou o desejo de continuar trabalhando pelo fortalecimento das relações bilaterais e dos laços econômico-comerciais, além da manutenção da América do Sul como uma "zona de paz".