O jovem ourinhense, Paulo Otávio Moreira Castelletto de 13 anos venceu o concurso de Contos e Crônicas da cidade de Ourinhos, iniciativa do Incena - Teatro & Cia., da Biblioteca Tristão de Athayde e da Secretaria Municipal de Cultura. Com a crônica: “Lembranças”, o aluno no 8º ano, do Colégio Pólis Anglo de Ourinhos, ficou na primeira colocação na categoria crônicas.
Em 2020 foram mais de 300 participantes, com idades entre 12 e 89 anos, residentes em vários estados do país e até mesmo do exterior, contando com participantes de Portugal e Japão.
O texto de Paulo fala sobre a mudança de comportamento dos jovens de antigamente com os jovens da atual geração, que é extremamente conectada à internet, porém distantes um dos outros. O texto nos remete a uma infância saudável e prazerosa, quando não havia malícia e não faltava carinho entre pais e filhos. (Confira abaixo o texto na integra).
Vencedor do 1° lugar na categoria jovem de crônicas:
Paulo Otávio Moreira Castelletto, de Ourinhos-SP.
Nasci em Ourinhos, no dia 1 de setembro de 2006. Filho de diretor
funerário Rodrigo Castelletto e da administradora Paula Moreira. Desde cedo sempre tive interesse por filmes e jogos eletrônicos. Hoje sou aluno do Colégio Pólis, o qual tem me orientado e motivado ao prazer da leitura e escrita.
Crônica : Lembranças
Pseudônimo: Pollo
Um senhor, com a aparência serena, estava sentado em uma bela praça, com um olhar distante a admirar aquele céu azul, com nuvens branquinhas e fofas. Ao seu redor havia crianças passeando com seus cachorros, andando com seus patinetes e vários jovens sentados, um em cada canto, todos com seus celulares nas mãos. Então começou uma viagem em suas memórias.
Lembrou-se do seu tempo de menino, dos amigos de infância, das brincadeiras... Lembrou de se encontrarem na rua, brincarem de bolinhas de gude, peão, esconde-esconde, pega-pega, bets, dividiam o lanche e a calçada, o sofá e a bicicleta. Dividiam também a atenção, carinho, a afeição.
Ah! Que tempo bom! Tempo de saudades, de amizades, de conversas sem segundas intenções, tempo de inocência. Impossível não se lembrar do cheirinho do tempero da comida de sua mãe, daquele leitinho quente que só ela sabia fazer, para aquecer as noites frias e as roupas tricotadas a mão.
Ele se emociona ao lembrar de seu pai, que todos os dias saía durante a madrugada para o trabalho na lavoura, levava uma marmita de alumínio montado em seu cavalo. Ao entardecer voltava para a casa feliz e muito cansado, mas mesmo assim fazia questão de reunir todos os filhos em volta da mesa para o jantar. Como era importante esse momento, todos os filhos reunidos contando sobre o seu dia e o pai permanecia atento a cada situação.
Depois do jantar iam todos para a sala e seu pai lhes contavam histórias, todas elas sempre tinham uma lição de moral, respeito e bons exemplos. Então era hora de dormir, os filhos pediam a benção a seus pais e seus pais lhes abençoavam.
É! Foram tempos difíceis de muitas lutas, mas que deixaram grandes saudades, ensinamentos e aprendizados.
Então está findando o dia, ele eleva seus olhos e em uma oração, agradece a tudo que viveu e se sente privilegiado por ter tido uma infância tão saudável a qual aprendeu a dar valor na terra, na água, no ar, no canto dos pássaros...
Olha novamente ao seu redor e vê que estes princípios não são cultivados mais nos dias de hoje, percebe que todos os jovens estão conectados, mas distantes uns dos outros, as crianças são superprotegidas, não lhes permitem tanta liberdade. Os pais sempre trabalhando muito em busca de oferecer bens e acabam se esquecendo de ensinar valores e demonstrar o amor pelos seus filhos. Mas ele permanece confiante que dias melhores virão.
Outros textos de jovens ourinhenses que foram destaques. Confira abaixo:
Categoria “Contos”
1° Lugar: Mariana Albano Mello – 9º Ano
Texto: De Passagem.
Mariana Albano Mello de Ourinhos-SP, sempre foi incentivada a conhecer o mundo da literatura. Quando pequena, e até hoje, adorava livros e a escrita. Aos nove anos começou a participar de concursos de poesia e narrativas por meio da escola, buscando ler e aumentar sua criatividade em seus textos. Começou a escrever contos e logo descobriu que essa era sua paixão e que gostaria de ser reconhecida por suas histórias.
De Passagem
Pseudônimo: Jo Saoirse
Estação de Trem de Curitiba- 1950.
Eu estava lá. Eu estive lá como uma passageira, assim como todos em minha volta.
O coração em mil pedaços estava partido. E aquela seria minha partida. Mala em uma das mãos, caderno e lápis na outra.
A dúvida percorria todo o meu corpo. Seria certo deixar meu lar? Minha família?
A ansiedade e a Euforia me impediram de ver um velho homem que se aproximava. Já ao meu lado ele me perguntou:
-O que faz você aqui?
De momento, virei-me em único movimento.
-Mas que susto o senhor me deu.
-Me perdoe. - o Homem se curvou de maneira elegante e retirou seu chapéu- Sou apenas um passageiro, cujo nome é irrelevante.
O homem usava um terno alinhado e seu andar era requintado, sua face era repleta de rugas e seu cabelo grisalho. Levava em uma das mãos uma pequena mala e sobre o braço um livro.
-Pois bem- curvei-me da mesma forma- Sou Batist, Leonor Batist.
-Por que está aqui, Leonor?
Olhei para ele de forma estranha. Aquele homem era um estranho, e, por um momento, fiquei assustada por isso.
Teria aquele homem segundas intenções para comigo?
-Irei-me embora daqui.
-Para onde vais? - o velho curioso ansiava por uma resposta.
Hesitei em responder.
-Estou indo para o tesouro do país. Rio de Janeiro.
-De certo que sim. Mas por que, ao meu ver, parece triste?
Novamente senti medo. Queria que aquele conversa acabasse logo.
-Anseio por um lugar bom, e repleto de alegria. Porém, e se não fora nada do que eu espero?
Olhei surpresa para homem. Surpresa por ter dito algo tão pessoal para alguém do qual nunca vira em toda minha vida e pior, para um homem do qual tinha receios.
O mesmo de maneira singela e calma olhou de volta para mim.
-Como vai saber se não for para lá? - ele arqueou sua sobrancelha e abriu um sorriso- Minha querida Leonor, não se preocupe com isso, incerteza é algo que todos nós temos, e o erro, e esse for o caso, é algo que sempre cometemos. E, penso também que isso tudo será uma grande inspiração para você, minha cara. - calmamente ele levou seu olhar para a minha mão, que carregava o caderno e o lápis- Não se deixe abalar por uma simples dúvida, veja o mundo que lhe espera lá fora, veja seu futuro, o qual eu tenho certeza que começa lá, no Rio de Janeiro.
Olhei para ele confiante.
Era assim que eu me sentia.
Estava certa do que eu queria agora.
Eu queria ir para lá, queria estar lá. Sentir o calor do sol no meu rosto e o vento puro.
-Muito obrigada. - lhe agradeci.
-Ora, não há de que me agradecer. Já vou indo minha cara, estou apenas de passagem
O homem foi se afastando, e num piscar de olhos desapareceu, como se fosse mágica.
Logo o trem parou à minha frente.
Hesitei por um breve momento.
As pessoas começaram entrar nele.
Um riso escapou de meus lábios. Ri pelo simples fato de um homem desconhecido por mim ter feito eu enxergar o que realmente queria.
Respirei fundo e entrei no trem.
Tomei meu lugar em um dos assentos e acomodei minha mala. Abri meu caderno e preparei o lápis, fiquei, por um tempo, pensando em como começar. Olhei pela janela e vi, vi as cercas correndo junto comigo para o meu futuro, aquilo era tão inexplicável, o que eu estava sentindo. Firmei o lápis na minha mão e comecei:
“Estação de trem de Curitiba-1950”
2° Lugar: Sophia Gabriela Rosalen Nunes da Silva – 8º Ano
Texto: A Caçadora de Dragões.
Vencedora do 2° Lugar na categoria jovem de contos:
Sophia Gabriela Rosalem Nunes da Silva, de Ourinhos-SP. Me chamo Sophia, tenho treze anos. Estou no oitavo ano. Gosto muito de ler e escrever, minhas matérias favoritas são matemática e língua portuguesa.
Conto A Caçadora de Dragões
Eclipse lunar
Em uma terra muito distante e há muitos séculos atrás vivia um jovem e bela mulher com cabelos vermelhos como o fogo de olhos negros, ela era uma faz tudo podendo ser uma caçadora de recompensa à cozinheira, ou seja, estava disposta a qualquer serviço que pagasse bem. Um dia um velho homem, enviado pelo seu senhor, foi atrás dessa mulher na missão de contratá-la para matar um dragão que aterrorizava seu reino.
Ele se dirigiu a uma taberna que foi indicada por um gato falante chamado Elliot conhecido por ser seu escudeiro que informou sua localização. Chegando no estabelecimento encontrou a mulher bebendo, foi em sua direção e conversaram sobre a proposta de trabalho, ela receberia quinze mil moedas de ouro e quinhentos diamantes negros em troca de dar um fim a um dragão, ela, como sempre, aceita o serviço.
Retomando seu caminho ela finalmente saiu do estabelecimento. O senhor Cícero escreveu uma carta ao rei avisando sobre a realização da missão.
Três dias se passaram e hoje Catrina, Elliot viajaram para o reino Valência na companhia do senhor Cícero. A viagem foi longa e nenhuma palavra foi trocada pelos passageiros até a chegada ao castelo onde recebeu a localização da criatura. Dirigiu-se em direção ao local indicado e lá encontrou o temido dragão.
Chegando lá viu o dragão dentro da caverna. Ela atraiu o dragão com o reflexo do sol em sua espada, o dragão desceu da caverna e veio ver o que era. Ele avistou Elliot que estava atrás de uma pequena pedra, e está sendo pequena demais, até para ele, fez com que a ponta de seu rabo ficasse a mostra. O dragão vai em sua direção. E puxa o gato pelo rabo e o levanta em direção a sua boca.
Catrina interfere antes que o dragão devore seu companheiro.
- Solte o Elliot, dragão!
- Por que vocês estão aqui?
- Somos enviados do rei para matar você.
- Por que vocês querem me matar.
- O senhor atacou o povo desse reino.
- A senhorita está equivoca em dois termos: primeiro é senhora; segundo não ataquei ninguém eles que vieram roubar meu filhote.
Dito isso um pequeno dragão desce da caverna correndo e vem em nossa direção cambaleando, provavelmente aprendeu a andar a pouco tempo. Ele se aproxima e rosna para mim e para Elliot, sua mãe acena com a cabeça para que pare. Ela fala:
- Abaixe a arma, por favor.
- Certo.
Catrina abaixou sua espada e esperou a dragão começar a falar ela explicou o motivo dela ter vindo para Valência. Eles estavam fugindo de caçadores, pois sua cabeça estava custando cinquenta mil moedas de ouro.
Eles encontraram abrigo antigo nessa caverna, eles também encontraram duas pessoas que falaram que iriam ajudar com alimentos, infelizmente confiaram nas pessoas erradas que contaram sua localização. Assim que ela termina de contar sua história Elliot me chama para ir atrás de uma pedra para conversar:
- Eu acho que deveríamos ajudá-los afinal nós conhecemos essa situação
Há dez anos atrás fomos culpados e caçados por uma coisa que não fizemos ainda me lembro dos guardas ameaçando nossos familiares para dizer aonde estávamos, me lembro dos gritos de horror e medo, lembro-me de minha mãe gritando " eu não sei, eu não sei" só essa lembrança me faz sentir ânsia.
- Concordo com você Elliot. - sorrio amigavelmente.
- Como podemos ajudar? - Elliot dirige-se dragão.
Ela contente conta seu plano de fugir para ir em um reino composto por apenas dragões, seria dois dias de viagem então Catrina e Elliot candidatam-se a preparar todos os recursos necessários. Eles foram rapidamente até o mercado principal, compostos por muitas barraquinhas onde os vendedores eram de diversas espécies. Compraram muita carne, alguns utensílios para segurança e poções de disfarce.
Combinaram de se encontrar na saída do reino, ao chegar no local os dois dragões estavam escondidos atrás de uma grande rocha, assim que eles veem Catrina e Elliot se aproximam e Catrina entrega a poção de disfarce com as seguintes instruções:
- Vocês devem beber a poção pensando na criatura que vocês desejam se tornar, no caso humanos. Pensem em todas as características. - sorrio lembrando-me de um incidente com essa poção. Não sabia que era necessário pensar nas características do ser que você assumiria e por isso acabou que a poção não funcionou como deveria...
Eles bebem e logo se transformam em pessoas. Seguiram viagem até a terra dos dragões, a viagem foi conturbada por um grupo de ladrões, felizmente eles conseguiram se livrar deles. Há cinco horas de viagem para o reino eles foram atacados por um mago, um mago para quem Catrina devia muito, ele utilizou uma de suas magias para capturar o grupo.
O mago se chamava Victor ele tinha um plano de extorquir informações de um reino fácil de se roubar ou de um rei que estaria louco para sua filha casar-se. Eles foram presos em cadeira com as mãos e pés amarrados, da esquerda para a direita Elliot, em seu lado Catrina, o filhote dragão e a dragoa. Catrina permaneceu forte com todas as ameaças proferidas de sua boca, em um momento que Victor se retirou, Catrina olhou para Elliot e os dragões, que ainda estavam transformados em pessoa mas por pouco tempo, e contou seu plano para fugir desse lugar que não sabia bem o que era, talvez um galpão ou uma casa apenas sabia que cheirava muito mal.
Assim que Victor colocou os pés no local o plano começou. Primeiro a dragoa tinha que chamar a atenção de Victor para assim o seu filhote retirar um canivete de ele sempre carregava em seu bolso. O primeiro passo foi efetuado com sucesso, agora chegou a parte complicada onde dependeria de apenas a sua sorte, Elliot se debate na cadeira, Victor vai em sua direção e em milésimos de segundos o filhote joga o canivete para Catrina, ela corta a corda de suas mãos e pés sem que Victor perceba.
Catrina levanta silenciosamente e cortam as cordas dos dragões, que estavam se destransformando, infelizmente Victor percebe, ela entrega o canivete ao pequeno dragão que vai sorrateiramente até Elliot, enquanto ela e a dragão distraem Victor. Elliot e o filhote procuram uma saída desesperadamente, dragoa acerta uma rabada nele que é arremessado para a parede no final do cômodo, quando eles estavam saindo Victor saca uma arma e atira, rapidamente a dragoa pula na frente da bala que iria acertar seu filhote, todos param em desespero. A dragoa fala:
- Vão e obrigada. - ela utiliza seu último suspiro para fechar a porta e incendiar o local juntamente com ela e Victor.
Eles seguem viagem, porém nunca se esqueceram de seu sacrifício para salvar-lhes.
3° Lugar: Pedro Gomes Moia – 9º Ano
Texto: O Passageiro Atrasado.
Vencedor do 3° lugar na categoria jovem de contos :
Pedro Gomes Moia de Ourinhos-SP.
Tenho 13 anos e estou no 9º do Colégio Pólis. Sempre me interessei por narrativas fantasiosas, e também me sinto mais à vontade para escrever sobre. Também assisto filmes e leio alguns livros do gênero.
O Passageiro Atrasado
Lucas Costa
Meus braços e pernas já se cansaram, estou quase esgotado, por que a maré está tão forte? Espero pelas unidades de resgate, mas já estou muito longe, não sei se vou aguentar o suficiente, a água está cada vez mais gelada e fico com medo de ficar com hipotermia. Poupo esforços na esperança de que alguém me veja e me salve, seria pedir muito? O medo da morte é pavoroso, uma sensação de impotência, e a morte, a morte é inevitável.
Era começo do ano, e a última etapa do ensino médio, talvez o momento mais aguardado na vida de um estudante. Todos ficamos ansiosos com a formatura, e com a viagem no final do ano, mas para isso acontecer era preciso nos prepararmos antes, falar com todos os pais e responsáveis, calcular as parcelas, para enfim realizarmos o momento aguardado. Todos já sabiam onde iria ocorrer a formatura, bastava decidirmos onde seria a viagem. Por isso, fizemos uma reunião com todos os pais e alunos, onde haveria a conclusão definitiva do local. A reunião durou cerca de uma hora, muitas ideias e sugestões, mas a que todos ficaram atraídos foi a do cruzeiro. E como seria uma excursão escolar, as passagens não sairiam tão caro e o navio não seria tão precário. Ele iria partir do porto de Santos e atracar em uma ilha paradisíaca no Nordeste. As aulas estavam cada vez mais perto do fim, eu e meus amigos nos dedicávamos muito para as provas e trabalhos, para colaborar com a viagem, pois não podíamos perdê-la!
Enfim, o último bimestre havia acabado e felizmente a maioria da sala havia se saído bem nas provas. Missão cumprida, agora só faltava arrumar as malas e partir para o porto. Nem tinha acreditado, como os meses se passaram tão rápido. Na noite seguinte fomos para o embarque, chegamos lá de manhã, me despedi de meus pais, e entrei no navio. Nunca havia visto um lugar tão deslumbrante, paredes brilhantes, escadas de vidro, tudo perfeito. Recebemos algumas instruções em caso de emergência, e em seguida fomos cada um para seu quarto, e era de se esperar que o quarto não seria diferente, impecável e chique. Ficamos divididos em grupos de duas pessoas, no caso eu e mais colega de classe, o Luís, que era um dos meus amigos mais próximos na escola. Pois bem, recolhemos nossas malas e organizamos as coisas cada um em sua cama, para depois conhecermos melhor aquela enorme embarcação. Passamos o dia inteiro explorando todos os seus interiores, era uma infinidade, tinha teatro, cassino, muitas piscinas, tobogãs, restaurantes e tudo o que se podia imaginar. Havia sido um dia longo, e precisávamos dormir, porque no outro dia, atracaríamos na ilha.
No dia seguinte, acordamos, e tomamos um café reforçado, pois passaríamos o dia fora. Na hora do almoço, já havíamos chegado lá, descemos do navio e fomos curtir o mar, e também almoçar. Era cercada de árvores, e tinha uma expansão relativamente grande, por isso eu e Luís não nos separávamos do restante da turma. Depois de conhecermos a ilha, fomos almoçar em um restaurante perto da nossa barraca, onde tinham pratos feitos com frutos do mar, uma das minhas culinárias preferidas. Passou algum tempo depois que almoçamos e decidimos descansar nas redes das nossas barracas, cochilei por alguns minutos e quis entrar no mar novamente, já que não havia visto ninguém por perto. A maré estava calma e a água não estava tão gelada, a paisagem era realmente sem igual, conseguia até mesmo ouvir o canto dos pássaros. Quando sai, fui à procura do resto da turma, já que em alguns minutos o navio iria partir da ilha. Escutei alguns barulhos vindo de dentro da mata, onde haviam as árvores, e resolvi ir até lá para procurá-los, pensei que estavam querendo ver algo lá dentro, quando entrei não era muito confortável andar sobre aquelas folhagens, porque continham algumas cascas muito robustas, o que machucavam um pouco os pés. Fiquei uns cinco procurando-os e nada de resposta, comecei a ficar preocupado, cada vez entrava mais na mata e não os escutava.
Resolvi voltar, já que obtive nenhum sinal deles, havia andado muito, tentei me redirecionar e voltar pelo mesmo caminho que tinha ido, andei e andei, quando me deparei com a borda da ilha, era um pouco alta, mas não haviam muitas rochas, dei meia-volta e voltei a andar, não saía nunca daquela imensidão de árvores. Achei melhor voltar à borda, já que se eu perdesse o horário, seria um local mais fácil para me procurarem, fiquei esperando que alguém me achasse, mas novamente não obtive nenhum sinal. Naquele momento já havia perdido a noção do tempo e tinha que tomar alguma atitude, pensei em pular no mar já que se procurassem em todas as bordas da ilha me achariam ainda mais facilmente, peguei um galho mais longo, tomei coragem e pulei, só não esperava que a maré estaria tão forte. As ondas já estavam altas, e cada vez mais me puxavam para longe, tentei nadar de volta à ilha, mas não consegui, o mar era mais forte do que eu. Comecei a ouvir o som dos motores de barcos e gritava de desespero, e a cada grito estava mais longe, era um pesadelo, via os barcos dando voltas e voltas na ilha e eu não podendo avisá-los que eu estava bem mais distante. Começou a escurecer e meus braços e pernas já se cansaram, estou quase esgotado, por que maré está tão forte? Espero pelas unidades de resgate, mas já estou muito longe, não sei se vou aguentar o suficiente, a água está cada vez mais gelada e fico com medo de ficar com hipotermia. Poupo esforços na esperança de que alguém me veja e me salve, seria pedir muito?
Não consigo mais ver as estrelas no céu, o céu se tornou totalmente preto, vi a última gota de água cair dos meus olhos, minha última lágrima. Eu desmaio e aquele foi meu fim trágico, estava com hipotermia, meu corpo estava totalmente gelado. Meu rosto fica dentro da água e eu me afogo. Novamente vejo as estrelas, mas agora, posso tocá-las. Quando acharam meu corpo, já era tarde, o passageiro estava atrasado.
2° Lugar: Maria Clara do Val Siqueira – 8º Ano
Texto: Eu em Marte
Vencedora do 2° Lugar na categoria jovem de crônicas:
Maria Clara do Val Siqueira de Ourinhos-SP.
Tenho 13 anos e estudo no Colégio Pólis, sempre gostei de escrever, e na minha opinião, as crônicas são as melhores. Gosto de podermos nos expressar quando fazemos reflexões para o texto, pois acabamos nós mesmos tomando lições e ensinamentos.
Crônica: Eu em Marte
Mari Siqueira
Já estou dentro da nave e tão animada por ser o primeiro ser humano a pisar no planeta vermelho, Marte.
Refleti bastante, qual seria minha frase de impacto. Precisaria ser algo poético, como “a Terra é azul”. Até tive a ideia de dizer que Marte é vermelho, mas não achei original.
Nesse momento, eu estaria tomando café da manhã, peguei uma das pílulas vitaminadas e pronto.
Quantos milhões de quilômetros, sozinha, apenas eu e as pílulas vitaminadas, horas e horas sem fazer nada, só observar as estrelas através das poucas janelas que a nave continha. À minha volta não havia nuvens, sem colinas, nem plantações, apenas estrelas, algumas mais brilhantes e outras mais apagadas.
Eu tenho tantas dúvidas... como conseguiria ficar tanto tempo longe das pessoas que amo? Acho que não damos valor a alguém até que sintamos a sua falta. Será que em algum momento de nossas vidas seremos capazes de amar e valorizar as pessoas como elas realmente merecem? Na maioria das vezes somos tão egoístas e exigimos que todos nos amem e nos valorizem como nem sempre merecemos. E mesmo assim as tratamos como as julgamos merecer. Enquanto fiquei refletindo como somos egoístas, a sonda pousou e eu tinha de colocar a bandeira de exploração onde dei meu primeiro passo. Depois dei uma boa olhada, a Terra, tão bela, tão grande, porém ao mesmo tempo, tão pequena em comparação à imensidão, infinidade e beleza desse universo negro. Tantos “sóis”, tantos planetas e a Terra tão perfeita, tão linda, mesmo sendo uma em milhares. Nós pensamos que já conhecemos e sabemos tanto, mas na verdade não temos a menor ideia do quanto mais há para ver e aprender. De quantas mais belezas há para se apreciar... Talvez minha missão aqui seja mostrar ao mundo como somos rodeados por beleza e como devemos cuidar do nosso planeta porque ele é dos maiores presentes que temos. Acho que ninguém perceberá o quão bela é esta escuridão até que a veja com seus próprios olhos. Estamos tão ligados ao nosso pequeno mundo de agitações e correrias que esquecemos de parar, olhar para o céu e, apenas, observar como somos sortudos de poder viver num lugar tão lindo como esse. Nesse tempo que fiquei pensando, percebi que não conseguiria ficar tão longe dessa joia do universo: a Terra. Então decidi fazer apenas um bate volta, e voltar para o meu planeta, que é tão maravilhoso quanto tudo isso. Só falta agora, continuarmos cuidando bem dele...


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