Lobista recebeu R$ 4,1 milhões de empresas investigadas pela PF e cita ligação de empresário com Lulinha

Reportagem do Estadão revela movimentações financeiras envolvendo Roberta Luchsinger e empresas ligadas a empresário investigado por suspeitas de desvios de recursos públicos. Em entrevista à CNN Brasil, lobista afirmou que pretende colaborar com a Polícia Federal e citou relações do filho do presidente Lula com empresários que possuem interesses no governo federal.
Compartilhe:
A lobista Roberta Luchsinger recebeu R$ 4,1 milhões de duas empresas ligadas ao empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos.

As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), com base em documentos financeiros, registros de reuniões e declarações feitas pela própria lobista em entrevista à CNN Brasil.

O caso ganhou repercussão após Roberta mencionar uma suposta relação comercial entre o empresário Amauri Rodrigues Pinha e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A defesa de Lulinha nega qualquer parceria empresarial entre os dois.

Empresas investigadas transferiram R$ 4,1 milhões à lobista
Segundo o Estadão, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que a empresa EDP Infraestrutura e Pavimentação transferiu R$ 2,2 milhões à RL Consultoria e Intermediações, pertencente a Roberta Luchsinger, entre setembro de 2024 e março de 2025.

Outra empresa, a Pentágono Comércio e Engenharia, também apontada em relatórios policiais como ligada a Eduardo DP, teria repassado R$ 1,9 milhão à lobista no mesmo período.

As duas transferências somam R$ 4,1 milhões.

Eduardo DP é investigado em um caso envolvendo suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas a obras de pavimentação por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

A investigação também envolve o deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com a reportagem, mensagens identificadas pela Polícia Federal indicam que os pagamentos à lobista estariam relacionados à intermediação da liberação de recursos federais para obras no Maranhão.

A defesa da EDP afirma que a empresa cumpre a legislação e colabora com as autoridades sempre que solicitada.

Empresário citado como amigo de Lulinha participou de reunião no Dnit
Outro personagem mencionado na reportagem é Amauri Rodrigues Pinha, engenheiro e presidente do conselho de administração da Empresa Construtora Brasil (ECB), ligada ao grupo português Mota-Engil.

Em entrevista à CNN Brasil, Roberta Luchsinger afirmou que Amauri mantém amizade e negócios com Lulinha.

O empresário também teria representado a EDP em uma reunião realizada em 10 de setembro de 2024, com o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Fabrício de Oliveira Galvão.

O encontro, registrado em agenda pública, teve como assunto obras públicas e contou também com a participação de Eduardo DP, segundo o Estadão.

A reunião ocorreu no período em que empresas ligadas a Eduardo realizaram pagamentos à consultoria de Roberta.

Amauri Pinha também ocupa posição de destaque em um grupo empresarial que possui contratos públicos bilionários, incluindo obras na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e participação no projeto do Túnel Santos-Guarujá, em São Paulo.

A existência dessas relações e reuniões não comprova, por si só, a prática de irregularidades.

Na entrevista, Roberta não apresentou detalhes que demonstrassem eventual atuação ilegal de Lulinha ou sua participação em contratos específicos.

Defesa de Lulinha nega negócios com empresário
Procurado pelo Estadão, o advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, afirmou que seu cliente mantém apenas uma relação de amizade com Amauri Pinha.

Segundo a defesa, Lulinha nunca realizou negócios com o empresário e está disponível para prestar esclarecimentos aos investigadores.

Amauri Pinha não se manifestou à reportagem.

Já a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que o presidente Lula desconhece os fatos relatados por Roberta Luchsinger.

Em nota, a Presidência declarou que Lula nunca manteve interlocução com a lobista, não recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas.

O governo também questionou o momento da divulgação das acusações, às vésperas do segundo turno das eleições, e alertou para o risco de denúncias sem comprovação interferirem no processo eleitoral.

Relação com investigação sobre fraudes no INSS
Roberta Luchsinger passou a ser investigada após a Polícia Federal identificar pagamentos feitos às suas empresas pelo lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Ele é um dos investigados na Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.

Com o avanço das investigações, a PF identificou trocas de mensagens entre Roberta e Lulinha.

Segundo o Estadão, três inquéritos foram abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo os dois.

A reportagem também afirma que a lobista realizou mais de 40 visitas a órgãos públicos que não constavam em agendas oficiais durante o governo Lula.

Em outro conjunto de mensagens, Roberta teria afirmado que Lulinha intermediou o agendamento de uma reunião do governador do Maranhão no Palácio do Planalto, relacionada à liberação de obras.

Essas informações fazem parte das apurações divulgadas pela imprensa e ainda dependem de esclarecimento pelas autoridades competentes.

Lobista afirma que pretende colaborar com a Polícia Federal
Em entrevista concedida à CNN Brasil no sábado (17), Roberta Luchsinger afirmou que deseja colaborar com as investigações e manifestou interesse em negociar um acordo de delação premiada.

Ela declarou que não pretende poupar nenhuma pessoa eventualmente envolvida nos fatos, incluindo o presidente Lula e seu filho.
A manifestação ocorreu após declarações públicas do presidente, que criticou a lobista e negou que Lulinha tenha praticado tráfico de influência em seu governo.

Até então, Roberta vinha negando irregularidades e reafirmando sua amizade com o filho do presidente.

A defesa da lobista foi procurada pelo Estadão, mas não apresentou manifestação à reportagem.

Empresa está impedida de contratar com o poder público
Segundo informações do Portal da Transparência citadas pelo Estadão, a EDP Infraestrutura e Pavimentação está impedida de contratar com o poder público por determinação do Supremo Tribunal Federal.

A medida, adotada em junho de 2026, tem caráter preventivo e está relacionada a uma investigação sob sigilo, relatada pelo ministro Flávio Dino.

A restrição não representa, por si só, uma condenação definitiva da empresa.

As investigações seguem em andamento, e as suspeitas mencionadas nas reportagens ainda precisam ser esclarecidas. Não há, nas informações apresentadas, comprovação de que Lulinha tenha participado de desvios de recursos públicos ou cometido irregularidades nos contratos citados.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) e da CNN Brasil.
⚠️ AVISO SOBRE DIREITOS AUTORAIS

Todo o conteúdo publicado no site, incluindo textos, fotografias, vídeos, artes, logotipos e demais materiais jornalísticos, é protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal nº 9.610/98).

É expressamente proibida a reprodução, cópia, distribuição, retransmissão ou utilização total ou parcial de qualquer conteúdo deste portal sem autorização prévia e formal do site Passando a Régua.

A utilização indevida de material protegido poderá resultar em responsabilização civil e criminal, conforme previsto na legislação brasileira.

O compartilhamento de links das matérias é permitido, desde que preservada a autoria e a integridade do conteúdo.