Lucas Pocay tem mais de 23 mil votos em Ourinhos, mas votação no Estado não é suficiente para garantir vaga na Alesp

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O ex-prefeito de Ourinhos Lucas Pocay (PSD) não conseguiu se eleger deputado estadual nas eleições deste domingo, 4. Depois de comandar a Prefeitura de Ourinhos por oito anos, entre 2017 e 2024, Pocay buscava pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), mas terminou a disputa com 32.446 votos em todo o Estado, ficando fora das vagas conquistadas pelo PSD.

Apesar da derrota na disputa estadual, Pocay conseguiu uma votação expressiva em sua principal base eleitoral. Dos 32.446 votos recebidos, 23.026 foram conquistados somente em Ourinhos — aproximadamente 71% de toda a sua votação no Estado. Com esse desempenho, foi o candidato a deputado estadual mais votado no município entre todos os candidatos, incluindo candidatos a deputado federal.




Votação se aproxima do resultado de Caio Lima em 2024
O desempenho de Pocay em Ourinhos chama atenção quando comparado com a eleição municipal de 2024. Naquele pleito, Caio Lima (PSD), candidato apoiado pelo grupo político de Pocay na disputa pela Prefeitura, recebeu 23.355 votos.



Isso significa que Pocay obteve agora apenas 329 votos a menos que Caio havia conquistado na eleição para prefeito. A comparação ganha relevância porque, diferentemente de uma disputa majoritária pela Prefeitura, a eleição para deputado estadual reúne dezenas de candidatos buscando votos no mesmo município.

Outro parâmetro é o desempenho do ex-prefeito Guilherme Gonçalves. Quando disputou uma vaga de deputado estadual em 2022 e também não foi eleito, Guilherme recebeu 20.997 votos em Ourinhos. Assim, Pocay conseguiu neste domingo 2.029 votos a mais no município.

Dois anos depois daquela disputa estadual, Guilherme venceu a eleição para prefeito de Ourinhos em 2024 com 27.721 votos. Pocay ficou agora 4.695 votos abaixo daquela marca.

Apesar da força demonstrada em Ourinhos, Pocay teve dificuldades para ampliar sua votação para outras regiões do Estado. Fora do município, somou 9.420 votos, o que acabou sendo determinante para que não alcançasse uma cadeira na Alesp.

Até a publicação desta matéria, Lucas Pocay ainda não havia se manifestado publicamente sobre o resultado das urnas.


Veja também: Mãe e irmão de Guilherme Gonçalves têm baixa votação e ficam longe de vagas nas assembleias de SP e PR

Futuro político também passa por julgamento no TJ-SP
Além do resultado eleitoral, Pocay acompanha um processo criminal que poderá ter reflexos em seu futuro político. Trata-se da Ação Penal nº 2013058-07.2021.8.26.0000, relacionada ao caso conhecido como “Casa dos Músicos”.

Segundo a acusação do Ministério Público, o caso envolve supostas irregularidades na contratação, sem licitação, de um imóvel pela Prefeitura no início da primeira gestão de Pocay. O ex-prefeito e outros envolvidos contestam as acusações. A defesa de Pocay sustenta que a locação seguiu os procedimentos legais e atendeu ao interesse público.

Em agosto, a 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo formou maioria pela condenação, após os votos da relatora, desembargadora Ely Amioka, e do revisor, desembargador Sérgio Ribas. O julgamento, entretanto, ainda não foi concluído, após pedido de vista do desembargador Juscelino Batista.

A Procuradoria-Geral de Justiça também rejeitou posteriormente a possibilidade de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) solicitada pela defesa.

Conforme a movimentação processual informada, o julgamento permaneceu adiado para cumprimento de diligências, com nova sessão prevista para 15 de outubro de 2026, às 10h.

É importante destacar que Pocay não está atualmente inelegível por esse processo. Seu registro para concorrer nas eleições deste ano foi deferido pela Justiça Eleitoral. Eventuais efeitos de uma condenação colegiada sobre sua elegibilidade dependerão da conclusão do julgamento e da aplicação da legislação eleitoral ao caso concreto.

Assim, Pocay encerra sua primeira tentativa de chegar à Alesp com um resultado de duas leituras distintas: demonstrou forte capacidade eleitoral dentro de Ourinhos, com mais de 23 mil votos, mas não conseguiu expandir essa votação pelo Estado em quantidade suficiente para conquistar uma cadeira no Legislativo paulista. Ao mesmo tempo, o ex-prefeito aguarda um julgamento que poderá ser decisivo para os próximos passos de sua trajetória política.


 
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