Lula anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família a 17 dias das eleições; piso passa para R$ 691

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Com a mudança, o valor mínimo garantido por família passará dos atuais R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio é estimado pelo governo em cerca de R$ 777. O reajuste ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.

Os novos valores serão aplicados a partir da folha de outubro. Pelo calendário oficial do programa, os pagamentos daquele mês começam em 19 de outubro, seguindo o número final do NIS, portanto depois do primeiro turno e antes de um eventual segundo turno.

O reajuste de 15,04% corresponde, segundo o governo, à variação acumulada do INPC desde 2023, quando o atual formato do Bolsa Família foi instituído. O índice é calculado pelo IBGE e acompanha a variação de preços para famílias de menor renda.

Como ficam os valores
Além da elevação do piso de R$ 600 para R$ 691, os componentes que formam o benefício também serão corrigidos. Conforme os valores anunciados, a parcela mínima por integrante da família passa de R$ 142 para R$ 164.

Os adicionais também aumentam: o benefício destinado a cada criança de até seis anos passa de R$ 150 para R$ 173; já os adicionais de R$ 50 destinados a gestantes, crianças e adolescentes de 7 a 18 anos incompletos e bebês de até seis meses passam para R$ 58.

Esses adicionais explicam por que muitas famílias recebem mais do que o piso. Em setembro, antes do reajuste, o Bolsa Família atende 19,29 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 678,18, segundo dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

R$ 600 vinha desde o governo Bolsonaro
O patamar de R$ 600 tem origem em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando o então Auxílio Brasil foi elevado de R$ 400 para R$ 600. Ao assumir a Presidência em 2023, Lula reformulou o programa, retomou o nome Bolsa Família, preservou o piso de R$ 600 e implantou adicionais relacionados à composição familiar.

O valor-base não havia recebido reajuste durante o atual mandato até o anúncio desta quinta-feira.

Reajuste em período eleitoral gera discussão jurídica
A proximidade das eleições colocou em evidência a discussão sobre as restrições impostas pela legislação eleitoral à criação ou ampliação de benefícios sociais em ano de eleição.

O governo sustenta, entretanto, que a medida anunciada agora não cria um novo benefício nem amplia o público atendido, mas apenas recompõe pela inflação valores existentes.

A Advocacia-Geral da União (AGU) analisou a questão e defendeu que a correção pelo INPC, sem ampliação do número de beneficiários, não se enquadra nas vedações eleitorais. Segundo a posição divulgada pela AGU, a legislação do Bolsa Família autoriza a atualização dos valores e a medida busca impedir a perda do poder de compra causada pela inflação.

A discussão remete também a 2022, quando o Auxílio Brasil foi elevado de R$ 400 para R$ 600 durante o período eleitoral por meio de uma emenda constitucional que reconheceu estado de emergência. A situação jurídica daquele aumento foi posteriormente objeto de questionamentos. O caso de 2026, segundo a argumentação apresentada pela AGU, seria diferente porque se trata de reposição inflacionária de um programa já existente, e não da criação de um benefício ou expansão de seu público.

Impacto nas contas públicas
Segundo números apresentados pelo governo e divulgados nesta quinta-feira, o reajuste terá impacto estimado de aproximadamente R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões a R$ 22,7 bilhões em 2027.

O governo afirma que o aumento será acomodado dentro das regras fiscais e por meio de remanejamentos no Orçamento, sem elevação dos limites gerais de despesas. A proposta orçamentária originalmente enviada ao Congresso não contemplava o reajuste.

Quem pode receber o Bolsa Família
As regras de acesso ao programa continuam sendo aplicadas por meio do Cadastro Único (CadÚnico), e a atualização cadastral permanece obrigatória. O governo também exige o cumprimento das condicionalidades previstas nas áreas de saúde e educação, como frequência escolar, acompanhamento pré-natal e atualização da vacinação.

Portanto, o anúncio desta quinta-feira altera os valores pagos, mas não significa que todas as famílias receberão exatamente R$ 691. O pagamento final depende da composição familiar e dos benefícios adicionais aos quais cada núcleo tenha direito.

Com a mudança, outubro será o primeiro mês em que os beneficiários receberão os valores corrigidos. O calendário oficial prevê pagamentos entre 19 e 30 de outubro de 2026, conforme o final do NIS.
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