Lula veta integralmente projeto que desonera a folha de pagamento de 17 setores e pode prejudicar ainda mais a economia

Texto aprovado pelo Congresso prevê prorrogar a desoneração até 2027. Medida abrange os setores que mais empregam no país e visa manter empregos e impulsionar a economia.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surpreendeu o mercado ao vetar integralmente o projeto aprovado pelo Congresso Nacional que prorrogaria a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia brasileira. A decisão, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira, 23, contraria expectativas e levanta preocupações sobre o impacto nas empresas e na economia como um todo.

O projeto aprovado pelo Congresso buscava estender a desoneração da folha de pagamento até 2027, permitindo que empresas substituíssem a contribuição previdenciária por uma alíquota sobre a receita bruta, variando de 1% a 4,5%, dependendo do setor e serviço prestado. A medida visava manter empregos e impulsionar a economia, especialmente nos setores que mais empregam no país.

O Movimento Desonera Brasil, representando os setores afetados, estima que o projeto impactaria diretamente 8,9 milhões de empregos formais, além de gerar milhões de empregos indiretos na cadeia produtiva dessas empresas.

A desoneração da folha, na prática, permitiria que as empresas reduzissem o valor do imposto, facilitando a contratação de mais funcionários e a manutenção de empregos. No entanto, a decisão de Lula de vetar o projeto levanta preocupações sobre os custos para as empresas e o possível aumento do desemprego.

O senador Efraim Filho, autor do projeto, expressou sua preocupação com o impacto negativo na contratação de pessoas, alertando que as famílias serão as mais prejudicadas. Ele defendeu a derrubada do veto ainda este ano.

O presidente da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), John Anthony von Christian, destacou que algumas empresas enfrentarão dificuldades em arcar com os custos adicionais, resultando em demissões e perda de espaço no mercado internacional. Ele prevê possíveis aumentos nos preços dos alimentos, no transporte público e de carga, contribuindo para uma potencial inflação mais elevada.

A decisão de Lula agora gera incertezas sobre o futuro desses setores e a capacidade do governo em impulsionar a recuperação econômica, intensificando o debate sobre a necessidade de medidas alternativas para garantir a estabilidade e crescimento do país.

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