Mãe registra boletim por injúria racial após filho de 12 anos ser chamado de “macaco” em escola de Ourinhos

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A mãe de um adolescente de 12 anos, aluno do 7º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Adelaide Pedroso Racanello, em Ourinhos (SP), registrou um boletim de ocorrência por injúria racial após o filho ter sido chamado de “macaco” por outro estudante durante uma aula. O caso aconteceu na tarde desta terça-feira (8), por volta das 16h.

Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, a mãe, de 32 anos, foi chamada pela direção da escola depois do episódio e tomou conhecimento de que o filho teria sido ofendido por outro aluno da turma 7º-A.

Ainda de acordo com o boletim, a direção da unidade escolar realizou averiguações internas e conversou com os alunos envolvidos. A mãe afirma que o adolescente apontado como autor não teria pedido desculpas e teria demonstrado deboche ao comentar o episódio.

A reportagem do Passando a Régua conversou com a mãe do adolescente, que afirmou que o filho ficou bastante abalado com a situação.

Segundo ela, o episódio teria ocorrido depois que o menino estava ajudando a professora com a distribuição de livros para os demais alunos. Quando chegou a vez do outro estudante, teria faltado um exemplar. O aluno tentou pegar o livro que estava com o filho dela e, diante da situação, teria feito a ofensa racial.
“Meu filho é uma criança que sempre ensinei a respeitar as pessoas. Ele não é macaco. Ele é uma criança, um aluno, um ser humano e merece respeito, na escola e em todo lugar”, afirmou a mãe.
A mãe também questionou as consequências aplicadas pela escola. Segundo ela, o estudante apontado como autor recebeu um dia de suspensão e foi afastado das atividades de basquete pelo período de três meses.

Para a família, entretanto, a preocupação principal é com o impacto emocional provocado no adolescente e com a possibilidade de que situações semelhantes voltem a acontecer.
“Isso dói na alma. Dói profundamente. Até quando nós, negros, vamos viver assim? Sempre sendo diminuídos, sempre sendo ofendidos pela cor da pele?”, declarou a mãe.
Ela afirmou ainda que decidiu procurar a polícia para que o caso fosse formalizado e para que sejam adotadas as providências cabíveis. A família, que mora na Vila Operária, espera que o episódio não se repita e que o filho possa continuar frequentando a escola com tranquilidade e segurança.

Escola
Segundo a mãe, a professora teria sido a primeira a tomar conhecimento do ocorrido e orientou o adolescente a procurar a direção para relatar o que havia acontecido. A unidade escolar, conforme informado à reportagem, realizou os procedimentos internos e aplicou as medidas disciplinares mencionadas pela família.

A escola informou que permanece à disposição para os esclarecimentos necessários.

Secretaria de Educação
O Passando a Régua também entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação de Ourinhos. O secretário Rodrigo Mendes informou que, até o momento do contato da reportagem, a Secretaria ainda não havia sido comunicada oficialmente sobre o caso.

O secretário afirmou que entraria em contato com a supervisão para buscar informações sobre o ocorrido e os procedimentos adotados pela unidade escolar.

O caso foi registrado pela mãe como injúria racial, e as circunstâncias deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.
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