Médica diz que foi agredida por mãe de paciente no Hospital Unimed de Ourinhos

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Um episódio de violência no Hospital Unimed de Ourinhos nesta terça-feira, 21, resultou no registro de uma ocorrência de lesão corporal, ameaça e injúria. A médica cirurgiã pediátrica, de 37 anos, relatou ter sido agredida física e verbalmente por uma mulher de 36 anos, mãe de um menino de 8 anos que estava sendo atendido no hospital.

De acordo com o boletim de ocorrência, o incidente teve início na manhã do dia 21 de maio, quando a médica realizou o atendimento inicial do garoto, que estava febril e adoentado. A mãe teria dificultado o trabalho da médica ao impedir que seu filho fosse medicado ou submetido a exames, o que gerou estranheza e preocupação na profissional de saúde. Ao sair da sala de atendimento, a mãe proferiu uma série de ofensas graves, incluindo xingamentos como "bisca...", "pu...", "vaga...", "cadela", "filha...", "pir...", "incompetente", "burra" e "cínica". As ameaças também foram registradas, incluindo declarações como "vai to...", "eu vou matar você" e "a minha vontade é de arrastar ela pelos cabelos".

No período da tarde, a mãe retornou ao hospital com o filho, exigindo que ele fosse atendido novamente pela mesma médica. Durante a segunda consulta, a criança foi submetida a diversos exames e, embora inicialmente a mãe tenha concordado com os procedimentos, ela continuou a proferir ofensas enquanto aguardava os resultados dos exames. Ao receber os resultados, a médica solicitou a presença de uma técnica em enfermagem na sala de consulta.

A situação se agravou quando a médica tentou examinar novamente o paciente e a mãe, em um ato agressivo, jogou seu filho na maca. As ofensas verbais continuaram, e ao ser advertida pela médica, a mãe tentou colocar o dedo no rosto da profissional. Quando a médica se afastou, a mãe a atacou, puxando-a pelos cabelos. A técnica de enfermagem tentou intervir, mas também foi agredida, sendo jogada ao chão e recebendo um tapa no rosto e chutes.
 
A médica sofreu hematomas no braço direito, pequenas lesões na mão direita, hematomas nos joelhos e queixas de dores na cabeça e nuca. As agressões foram apartadas por outros pais de pacientes e funcionários do hospital.
A médica se comprometeu a apresentar um descritivo das lesões assinado por um profissional competente e recebeu requisição para exame de corpo de delito junto ao Instituto Médico Legal (IML). Ela expressou seu desejo de processar criminalmente a mãe do paciente pelos delitos cometidos.

A administração do Hospital Unimed de Ourinhos ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente. O caso segue em investigação pelas autoridades locais.


Versão da mãe

A nossa reportagem foi procurada pela mãe, que negou as ofensas e agressões contra a médica.
“Eu não disse nenhum dos palavrões mencionados na reportagem, utilizei apenas a palavra incompetente. Eu em momento nenhum saí do hospital, fiquei lá das 7h50 às 18h00. E na verdade ela não quis pedir exames ao meu filho, mesmo ele estando com febre.
Eu nunca fui tão humilhada na minha vida. Ela (a médica) deu alta ao meu filho sem medicá-lo com febre.
Liguei para ouvidoria da Unimed e reclamei do atendimento dela. Neste momento retornamos para dentro do hospital. Só depois que liguei na ouvidoria ela pediu exame de dengue, raio X e medicou meu filho.
Só que ela ficou com raiva da minha reclamação e nos deu um chá de cadeira. Às 14h00 ela pediu mais um exame pro meu filho de sangue, mas não porque precisava, mas como forma de punição, como quem diz, quer exame, então tai. Coletaram mais 2 tubos de sangue do meu filho com febre o com dor.
Fui trabalhar de manhã e pedi o período da tarde pra poder registrar um B.O contra ela, porque fiz o corpo de delito ontem à noite. Como eu disse, nem que eu quisesse poderia chutá-la
Ela me agrediu, me derrubou no chão, uso ortese, neste momento minha ortese quebrou
Eu saí de lá humilhada. É muito triste e vergonhoso uma mãe ter que passar por isso na frente do filho. E pior, em um hospital particular
Não consegui trabalhar de dor no corpo e com o psicológico abalado como estou.
Daí fui informada que não tem câmeras no consultório”.

 
A mãe ainda registrou um boletim de ocorrência que diz o seguinte:

Comparece nesta unidade policial a mãe negando os fatos narrados. Declara que levou seu filho ao hospital pois o mesmo estava com febre. Fez alguns exames e foi liberado sem nenhuma medicação. Que questionou a médica sobre outros exames inclusive raio x onde a médica não pediu. Que reclamou com a Ouvidoria e posteriormente foi atendida novamente pela médica em questão onde foi pedido novos exames. Que depois de muita espera a médica voltou para atender a seu filho e após alguns desentendimentos, a médica começou a apontar o dedo na cara da vítima onde esta mandou abaixar o dedo onde a médica puxou os cabelos da vítima e lhe deu uma rasteira, caindo ao solo. Declara que sofreu lesão no pescoço lado direito e arranhões na testa, além de dores pelo corpo. Declara que é deficiente física e que utiliza "órtese" em ambas as pernas e que com a queda sua órtese do lado esquerdo entortou e como depende delas para andar, ficou difícil sua locomoção devido ao ocorrido. Que a policia militar foi acionada porém não compareceu nesta delegacia para registro dos fatos pois estava com o filho e precisou leva-lo para casa. Que foi orientada pelos policiais militares a comparecer nesta delegacia assim que possível. Foi expedida requisição de IML para a vítima. Vítima deseja representar criminalmente contra a autora. Nada mais

Matéria atualizada às 13h40 com a versão da mãe*