Uma menina de apenas 3 anos, resgatada desidratada e desnutrida da casa onde vivia com o pai de 36 anos em Rio Claro (SP) (295 km de Ourinhos), está mostrando sinais de melhora em seu estado de saúde. Apesar de ainda enfrentar dificuldades para andar, a criança já ganhou dois quilos desde o resgate. No entanto, seu quadro é delicado, e ela ainda não consegue falar, chorando frequentemente.
O pai da criança, em depoimento aos guardas municipais, revelou que os dois passaram 40 dias sem se alimentar, pois desejava que "morressem juntos". A menina é órfã de mãe, que faleceu pouco após o parto. O pai chegou a ser preso por maus-tratos, mas foi libertado em uma audiência de custódia e agora poderá responder em liberdade.
Segundo a médica Samila Bapelo Chigallo, da Santa Casa da cidade, onde a menina está internada, ela tem respondido bem ao tratamento, mas ainda não desenvolveu a habilidade de falar. A paciente foi encontrada pesando apenas 8 kg, enquanto o peso normal para uma criança de sua idade seria de 15 kg. A alimentação está sendo reintroduzida de forma gradual para evitar distúrbios metabólicos. A menina tem demonstrado aceitação à alimentação, além de ter começado a andar, mesmo que com dificuldades. No entanto, a parte psicológica ainda é um desafio a ser enfrentado.
Especialistas da Santa Casa estão acompanhando a criança em seu tratamento, que inclui atendimento psicológico, fonoaudiológico e fisioterapêutico. A menina ainda apresenta desidratação em menor escala e está recebendo suplementação de vitaminas A e B, zinco e ferro.
A avó materna da criança, juntamente com uma amiga da mãe da menina, tem acompanhado o tratamento no hospital. Familiares e a avó vinham encontrando dificuldades em se comunicar e visitar a criança desde abril, quando o pai se isolou e cortou o contato. Por meio de decisão judicial, a avó conseguiu obter o direito de visitar a menina e, diante das negativas do pai, foi até a residência acompanhada por guardas municipais para resgatá-la.
A médica destaca que o pai não fez qualquer tentativa de contato com a menina desde então, e sua entrada no hospital está proibida pela avó materna, que agora assumiu a responsabilidade pelos cuidados da criança. Enquanto a menina segue uma dieta pastosa com alta quantidade de proteína, a avó se alimenta normalmente, e a criança ocasionalmente tenta comer a comida da avó. No entanto, os médicos têm o cuidado de evitar uma realimentação abrupta.
A menina já passou por exames ginecológicos no hospital, que não indicaram indícios de abuso. Ainda não há previsão de alta médica, pois a criança precisa ganhar mais peso, ter uma alimentação adequada sem a necessidade de soro e aguarda as decisões da Justiça sobre para qual casa deve ser levada. A avó materna tenta obter a guarda.
Mais sobre o caso
Policiais militares foram acionados para acompanhar um representante do Conselho Tutelar em uma situação de maus-tratos no local. Ao chegarem lá, encontraram a criança apenas de fralda, em situação degradante. De acordo com informações do boletim de ocorrência, ela estava desnutrida, com uma fralda suja e ossos à mostra. A menina mal conseguiu se mexer.
O acusado também estava desnutrido e disse aos guardas municipais que não procurou ajuda por não ter parentes na cidade.
A criança e o pai foram encaminhados para a UPA do bairro Cherveson. Após ser medicado, ele foi levado para a delegacia. A Justiça determinou a soltura do homem em audiência de custódia. Já a menina foi transferida para a Santa Casa.
O caso foi registrado como maus-tratos praticados contra pessoa menor de 14 anos no Plantão da Delegacia Seccional de Rio Claro. O caso será investigado pelo 3º Distrito Policial da cidade.
Com informações do Globo
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