Em meio a catástrofe causada pelas chuvas em Petrópolis, na região serrana do estado do Rio de Janeiro, moradores buscam, por conta própria, familiares desaparecidos. Ouvidos pela Agência Brasil, eles relataram que passaram a última madrugada com enxadas e até mesmo com as próprias mãos, buscando sobreviventes no meio dos escombros. O número de mortos agora é de 66.
"Estou procurando meu pai e minha mãe", disse Danter Menezes que, desde às 3h da madrugada de hoje (16), está com o irmão, Simon Menezes, no local onde era a casa dos pais, no Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra. "Tenho certeza que estão aqui, eles estavam na sala, os móveis todos estão aqui, achei os documentos deles", contou.
A região foi uma das mais atingidas. Somente ali, de acordo com os moradores, mais de 50 casas vieram abaixo com os deslizamentos de terra. Danter não mora no local. Assim que soube da tragédia, tentou contato com os pais, mas não conseguiu falar com eles e foi imediatamente para lá.
A casa do irmão, que fica na mesma área, também corre risco de desabamento. "Vou levar meu irmão, sobrinho e cunhada para minha casa. Eles moram naquela casa que está rachada e com risco de cair", explicou Danter.
José Costa reside em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, e, assim que soube do desastre, foi para Petrópolis para ajudar o filho, Marcelo Castro, que teve a casa levada pelas chuvas. Eles também buscam por conta própria a esposa de Marcelo, que estava em casa quando ocorreu o deslizamento de terra.
"Ele ligou para mim e eu vim porque numa hora dessas é difícil. Tentamos [escavar] beirando a casa, tirando o que tinha que tirar de barro", relatou José.
Sozinho, Paulo Eckardt procura a mãe, Antonieta, 99 anos, que estava em casa quando tudo desabou. Ele tentou chegar ao local ontem, mas não conseguiu. "Ela está dentro do quarto, debaixo daquela barreira. Tem que esperar agora para tirar o corpo", disse com muita tristeza. Ele morava com a mãe e não tem esperanças de que ela esteja viva. "O rapaz falou que [ela] está soterrada. Não tem como. Não tem chance [de alguém] estar vivo, é terra pura, sem chance, ainda mais com a idade que ela tem".
Hoje, as ruas de Petrópolis estão cobertas de lama. O terreno acidentado dos morros e a terra ainda muito molhada dificultam o trabalho de buscas. O Corpo de Bombeiros não dá conta de todo o trabalho. A população ajuda na procura de sobreviventes e por corpos. O trabalho é lento, pois as vítimas podem estar vivas em meio aos escombros, em espaços com ar. A escavação é feita devagar. Bombeiros contam que estão exaustos. Alguns estão em ação há dois dias, emendado jornadas de trabalho.
Com o tempo nublado, muitas pessoas estão também deixando as casas com medo de novas chuvas e deslizamentos. Muitos estão nas ruas com malas e bolsas. A comunicação na cidade foi prejudicada, faltam luz e internet em muitos locais. Como há muitos fios soltos nas ruas, para que não haja acidentes a energia foi desligada em algumas localidades.
Vítimas
Até o momento, há a confirmação de 66 mortos em razão das enchentes e do mau tempo que castigaram Petrópolis, segundo a Defesa Civil Estadual. Os bombeiros seguem nos trabalhos de busca por desaparecidos, uma vez que vários deslizamentos de terra e alagamentos foram registrados na cidade.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio montaram forças-tarefas para ajudar na identificação de cadáveres e na busca por desaparecidos. Uma estrutura foi erguida ao lado do Posto Regional de Polícia Técnica Científica (PRPTC) de Petrópolis para preservar os corpos.
O secretário estadual de Defesa Civil do Rio de Janeiro, Leandro Monteiro, pediu que as pessoas façam doações de água mineral aos quartéis dos bombeiros, para que possam ser entregues em Petrópolis.
Há ainda vários pontos que estão recebendo donativos, como a Câmara Municipal de Petrópolis, que está aceitando alimentos não perecíveis, água, roupas limpas para todas as idades, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, roupas íntimas e roupa de cama, entre outros.
Moradores arrecadam roupas e alimentos para desabrigados
Muitos dos sobreviventes da tragédia que atingiu Petrópolis terão que recomeçar do zero. Grande parte perdeu a casa, os móveis e só escapou com a roupa do corpo. Para ajudar essas pessoas, uma rede de solidariedade se formou quase instantaneamente na cidade.
Pontos de apoio foram abertos para receberem doações e grupos de pessoas passaram a bater de porta em porta pedindo ajuda. Uma turma de motoboys resolveu se unir em busca de ajuda.
“A gente reuniu um grupo de motoboys e vai de bairro em bairro, pedindo um alimento, uma escova de dentes, qualquer coisa, para ajudar as pessoas neste momento difícil. Graças a Deus tá todo mundo ajudando”, disse Jean Oliveira do Vale.
Junto com o colega Matheus Soares Moreira, ele descarregava as doações na casa paroquial Fraternidade Arca de Maria, bem próxima do Morro das Oficinas, local onde foi registrada a maior parte das vítimas. “A gente decidiu ajudar porque as nossas famílias estão bem e não custa ajudar ao próximo. Podia ser eu que estivesse precisando”, disse Matheus.
A casa paroquial abriu as portas para ajudar a comunidade desde as primeiras horas da tragédia, conforme relata irmã Agnes, uma das coordenadoras do espaço. “Nosso trabalho é ajudar ao próximo, aqueles que mais necessitam neste momento. Começamos desde ontem, quando vimos o desastre. A comunidade tem ajudado muito. Precisamos de roupas, alimentos e artigos de higiene pessoal”.
Dentro da casa paroquial, os artigos são separados por tipo e as roupas por tamanho e sexo. O trabalho é feito pela voluntária Flávia Ferreira da Silva. “Querer ajudar ao próximo é mais importante que tudo neste momento. Até as pessoas mais humildes estão trazendo coisas para ajudar quem está mais necessitado ainda”.
A Fraternidade Arca de Maria fica na Rua Albino Siqueira, 147, bairro Alto da Serra. Outros pontos de apoio também estão recebendo doações pela cidade.
Fonte: Agência Brasil
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