O nome do ex-prefeito de Ourinhos, Claury Alves Silva, pai do atual prefeito, Lucas Pocay (PSD), foi citado na delação premiada de um representante da concessionária Ecovias. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, as acusações envolvem a concessão responsável das rodovias Anchieta e Imigrantes, ligações da capital com o litoral norte de São Paulo e com os pedágios mais caros do estado: R$ 30,20 para carros.
Na matéria, Claury aparece como membro de uma (CPI) Comissão Parlamentar de Inquérito, na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), em 1999, quando tinha mandato de deputado estadual, pelo PTB.
A CPI foi instaurada na época para apurar os critérios das concessões de rodovias e cobranças de pedágio. De acordo com o relato, faziam parte da comissão, além de Claury, os deputados Geraldo Vinholi (PSDB à época no PDT), Edmir Chedid (União Brasil), Roberto Morais (Cidadania), José Zico Prado (PT) e José Rezende (à época no PL). segundo o delator da empresa, “todos os deputados identificados acima teriam recebido vantagens ilícitas, arcadas pelas 12 concessionárias” de São Paulo na época, para elaborar um relatório favorável a elas.
Pelo acordo de delação, a Ecovias aceita ressarcir R$ 650 milhões aos cofres paulistas. Conforme o jornal, a delação do executivo da concessionária, que tem o nome mantido em sigilo, trata do pagamento de propina e caixa 2 para políticos paulistas por quase 20 anos, entre 1999 e 2014. Os relatos foram encaminhados ao Ministério Público de São Paulo.
A delação está inserida em investigações espalhadas nas esferas eleitoral, cível e criminal, no entanto, neste último caso, parte das acusações já prescreveu.
No acordo cível assinado pela Ecovias, em 2020, com a Promotoria paulista, a concessionária afirma ter havido formação de cartel, pagamento de propinas e repasses de caixa dois em 12 contratos de concessão rodoviária firmados no estado.
Segundo a empresa, as irregularidades, perduraram entre os anos de 1998 e 2015, período que inclui as gestões Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos governos do PSDB.
O acordo entre a concessionária e a Promotoria está na casa dos R$ 650 milhões, sendo R$ 450 milhões em obras e R$ 200 milhões para o erário. Porém, ainda há pendência no Conselho Superior do Ministério Público e falta a homologação judicial.
Os políticos negam as acusações e a concessionária não comenta o caso.
Claury disse à Folha de S. Paulo que estranha o envolvimento do seu nome e disse que jamais participou de “qualquer conduta ilícita ou que tenha me beneficiado”. Hoje Claury está um pouco afastado dos holofotes políticos, mas tem o filho Lucas na prefeitura de Ourinhos.
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