A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na sexta-feira (4), uma resolução que incentiva a adoção de novas formas de representar o mapa-múndi, com o objetivo de reduzir as distorções nas dimensões dos continentes provocadas por algumas projeções cartográficas.
A proposta recebeu 164 votos favoráveis e está relacionada principalmente à projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator. Desenvolvido originalmente para facilitar a navegação marítima, o modelo se tornou uma das representações mais conhecidas do planeta e ainda é amplamente utilizado em mapas, materiais escolares e ferramentas digitais.
O problema é que não existe uma maneira de transformar perfeitamente a superfície esférica da Terra em uma representação plana. Toda projeção cartográfica provoca algum tipo de distorção, que pode afetar o tamanho, o formato ou a localização das regiões.

Comparação entre o mapa Mercator e a nova proporção aprovada pela ONU — Foto: Reprodução / Ministério do Interior da França
Por que a projeção de Mercator distorce os continentes?
Na projeção de Mercator, as distorções aumentam conforme uma região se afasta da linha do Equador. Dessa forma, áreas próximas aos polos aparecem muito maiores do que são na realidade.
Um dos exemplos mais conhecidos é a comparação entre África e Groenlândia. Em mapas baseados na projeção de Mercator, a Groenlândia pode parecer semelhante ou até próxima do tamanho da África. Na realidade, porém, o continente africano é cerca de 14 vezes maior.
O mesmo ocorre em outras comparações. Brasil e Alasca podem aparentar dimensões semelhantes em determinadas representações, embora o território brasileiro seja aproximadamente cinco vezes maior. A África também pode parecer menor que a América do Norte, apesar de possuir uma área aproximadamente três vezes superior.
A distorção ocorre porque, na projeção de Mercator, os meridianos — que na realidade convergem nos polos — são representados como linhas paralelas.

À esquerda, a África no mapa Mercator e à direita, o continente no novo mapa aprovado pela ONU — Foto: Reprodução
Gall-Peters busca preservar melhor as áreas
Uma alternativa conhecida é a projeção de Gall-Peters, desenvolvida originalmente pelo escocês James Gall, em 1855, e posteriormente difundida pelo historiador alemão Arno Peters.
Esse modelo procura preservar a proporção das áreas dos territórios. Com isso, continentes próximos ao Equador, como a África e a América do Sul, aparecem proporcionalmente maiores do que em mapas tradicionais baseados em Mercator.
Isso não significa, entretanto, que Gall-Peters seja uma representação perfeita da Terra. Assim como todas as projeções cartográficas, ela também produz distorções, apenas priorizando características diferentes.
Equal Earth é o modelo defendido pela iniciativa
A resolução da ONU incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a considerar modelos capazes de representar de maneira mais fiel as dimensões das massas de terra.
A iniciativa, conhecida como "Corrija o mapa", tem apoio da União Africana e defende o uso da projeção Equal Earth, apresentada no material da ONU como "Terra Igual".
O modelo busca preservar melhor as proporções entre as áreas dos continentes, permitindo uma comparação visual mais próxima das dimensões reais.
A discussão vai além da aparência dos mapas. Segundo a resolução, a maneira como os territórios são representados pode influenciar aspectos cognitivos, educacionais, culturais e até geopolíticos. Isso ocorre porque os mapas estão presentes em escolas, livros didáticos, meios de comunicação, documentos oficiais e plataformas digitais, ajudando a formar a percepção das pessoas sobre o tamanho e a posição das diferentes regiões do planeta.

Mapa mundi segundo projeção Gall-Peters — Foto: Wikimedia Commons
Mercator não será abandonado imediatamente
A aprovação da resolução não significa que os mapas de Mercator deixarão de ser utilizados imediatamente. A medida funciona principalmente como um incentivo para que governos e instituições avaliem outras projeções quando o objetivo for representar com maior fidelidade as dimensões das massas de terra.
Na prática, a principal mudança está na maneira como os continentes serão visualmente comparados.
Em uma representação baseada em Mercator, regiões próximas aos polos são ampliadas. Já em uma projeção que preserve melhor as áreas, como a Equal Earth, a África, a América do Sul e outras regiões próximas ao Equador aparecem em proporções mais próximas das reais.
Assim, estudantes e usuários de mapas poderão ter uma percepção mais fiel das diferenças de tamanho entre continentes e países.
É importante destacar que nenhum continente terá seu tamanho alterado. A África continuará tendo a mesma área, assim como a Groenlândia, o Brasil e os demais territórios. O que muda é exclusivamente a maneira como essas dimensões são representadas em uma superfície plana.
A discussão reforça uma questão fundamental da cartografia: não existe um mapa plano perfeito da Terra. Cada projeção precisa fazer escolhas sobre quais características preservar e quais distorcer. A proposta apoiada pela ONU busca justamente incentivar representações que mostrem de forma mais fiel as proporções territoriais do planeta.

Novo mapa aprovado pela ONU. — Foto: Reprodução
A proposta recebeu 164 votos favoráveis e está relacionada principalmente à projeção de Mercator, criada no século 16 pelo cartógrafo Gerardus Mercator. Desenvolvido originalmente para facilitar a navegação marítima, o modelo se tornou uma das representações mais conhecidas do planeta e ainda é amplamente utilizado em mapas, materiais escolares e ferramentas digitais.
O problema é que não existe uma maneira de transformar perfeitamente a superfície esférica da Terra em uma representação plana. Toda projeção cartográfica provoca algum tipo de distorção, que pode afetar o tamanho, o formato ou a localização das regiões.

Comparação entre o mapa Mercator e a nova proporção aprovada pela ONU — Foto: Reprodução / Ministério do Interior da França
Por que a projeção de Mercator distorce os continentes?
Na projeção de Mercator, as distorções aumentam conforme uma região se afasta da linha do Equador. Dessa forma, áreas próximas aos polos aparecem muito maiores do que são na realidade.
Um dos exemplos mais conhecidos é a comparação entre África e Groenlândia. Em mapas baseados na projeção de Mercator, a Groenlândia pode parecer semelhante ou até próxima do tamanho da África. Na realidade, porém, o continente africano é cerca de 14 vezes maior.
O mesmo ocorre em outras comparações. Brasil e Alasca podem aparentar dimensões semelhantes em determinadas representações, embora o território brasileiro seja aproximadamente cinco vezes maior. A África também pode parecer menor que a América do Norte, apesar de possuir uma área aproximadamente três vezes superior.
A distorção ocorre porque, na projeção de Mercator, os meridianos — que na realidade convergem nos polos — são representados como linhas paralelas.

À esquerda, a África no mapa Mercator e à direita, o continente no novo mapa aprovado pela ONU — Foto: Reprodução
Gall-Peters busca preservar melhor as áreas
Uma alternativa conhecida é a projeção de Gall-Peters, desenvolvida originalmente pelo escocês James Gall, em 1855, e posteriormente difundida pelo historiador alemão Arno Peters.
Esse modelo procura preservar a proporção das áreas dos territórios. Com isso, continentes próximos ao Equador, como a África e a América do Sul, aparecem proporcionalmente maiores do que em mapas tradicionais baseados em Mercator.
Isso não significa, entretanto, que Gall-Peters seja uma representação perfeita da Terra. Assim como todas as projeções cartográficas, ela também produz distorções, apenas priorizando características diferentes.
Equal Earth é o modelo defendido pela iniciativa
A resolução da ONU incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a considerar modelos capazes de representar de maneira mais fiel as dimensões das massas de terra.
A iniciativa, conhecida como "Corrija o mapa", tem apoio da União Africana e defende o uso da projeção Equal Earth, apresentada no material da ONU como "Terra Igual".
O modelo busca preservar melhor as proporções entre as áreas dos continentes, permitindo uma comparação visual mais próxima das dimensões reais.
A discussão vai além da aparência dos mapas. Segundo a resolução, a maneira como os territórios são representados pode influenciar aspectos cognitivos, educacionais, culturais e até geopolíticos. Isso ocorre porque os mapas estão presentes em escolas, livros didáticos, meios de comunicação, documentos oficiais e plataformas digitais, ajudando a formar a percepção das pessoas sobre o tamanho e a posição das diferentes regiões do planeta.

Mapa mundi segundo projeção Gall-Peters — Foto: Wikimedia Commons
Mercator não será abandonado imediatamente
A aprovação da resolução não significa que os mapas de Mercator deixarão de ser utilizados imediatamente. A medida funciona principalmente como um incentivo para que governos e instituições avaliem outras projeções quando o objetivo for representar com maior fidelidade as dimensões das massas de terra.
Na prática, a principal mudança está na maneira como os continentes serão visualmente comparados.
Em uma representação baseada em Mercator, regiões próximas aos polos são ampliadas. Já em uma projeção que preserve melhor as áreas, como a Equal Earth, a África, a América do Sul e outras regiões próximas ao Equador aparecem em proporções mais próximas das reais.
Assim, estudantes e usuários de mapas poderão ter uma percepção mais fiel das diferenças de tamanho entre continentes e países.
É importante destacar que nenhum continente terá seu tamanho alterado. A África continuará tendo a mesma área, assim como a Groenlândia, o Brasil e os demais territórios. O que muda é exclusivamente a maneira como essas dimensões são representadas em uma superfície plana.
A discussão reforça uma questão fundamental da cartografia: não existe um mapa plano perfeito da Terra. Cada projeção precisa fazer escolhas sobre quais características preservar e quais distorcer. A proposta apoiada pela ONU busca justamente incentivar representações que mostrem de forma mais fiel as proporções territoriais do planeta.

Novo mapa aprovado pela ONU. — Foto: Reprodução
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