Operação Poço de Lobato desmantela esquema bilionário de sonegação tributária ligado ao Grupo Refit

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A Operação Poço de Lobato, deflagrada nesta quinta-feira (27), revelou um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já investigados no país. Segundo o governo de São Paulo, as fraudes atribuídas ao Grupo Refit — proprietário da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro — drenavam mensalmente cerca de R$ 350 milhões, valor equivalente à construção de um hospital de médio porte ou de aproximadamente 20 escolas.

A investigação mobilizou mais de 600 agentes e cumpriu 190 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. De acordo com a Receita Federal, o conglomerado movimentou R$ 70 bilhões em um único ano, operando uma complexa rede formada por importadoras, distribuidoras, formuladoras, postos de combustíveis, fundos de investimento e empresas de fachada no Brasil e no exterior.

Esquema sofisticado e prejuízo histórico
O Grupo Refit teria montado uma estrutura empresarial destinada a ocultar lucros, reduzir artificialmente impostos e blindar patrimônio, com uso de offshores nos Estados Unidos, fundos de investimento em cascata e empresas constantemente registradas com novos sócios. As fraudes começavam nos portos, com declarações incorretas de combustíveis importados para diminuir a carga tributária.

As autoridades calculam que o prejuízo total aos cofres públicos chega a R$ 26 bilhões, somando impostos estaduais e federais. Apenas em São Paulo, a perda mensal alcançava R$ 350 milhões.

Apreensões e bloqueio de bens
Durante a operação, os agentes apreenderam mais de R$ 2 milhões em espécie, oito pacotes de esmeraldas brutas, celulares, laptops e vasta documentação financeira. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10,1 bilhões em bens do grupo.

Quem é o empresário por trás do conglomerado
O grupo é comandado por Ricardo Magro, advogado tributarista de 51 anos, investigado em outras operações, como a Recomeço (2016), e citado na Lava Jato. Ele reside em Miami desde 2016. Magro e a Refit negam irregularidades e afirmam que se trata de uma disputa tributária legítima, acusando o setor concorrente de perseguição.

Impactos e reações
Segundo o governador Tarcísio de Freitas, a sonegação bilionária comprometeu investimentos públicos essenciais. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso expõe uma “rede internacional de lavagem de dinheiro”, e que o governo buscará cooperação com autoridades norte-americanas.

As investigações apontam prejuízo direto à União, aos estados, ao mercado de combustíveis e aos consumidores, prejudicados por preços distorcidos e produtos fora do padrão.

Até o momento, não há indícios de ligação entre o esquema e o crime organizado, segundo o Ministério Público.