Operação revela esquema de propina de até R$ 33 milhões envolvendo policiais civis em São Paulo

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Uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Civil revelou um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis que cobravam propina para encerrar investigações criminais. A ação, denominada Operação Bazzar, foi deflagrada nesta quinta-feira (5) e resultou, até o momento, na prisão de nove pessoas.


Veja quem são os policiais civis presos na operação contra corrupção em SP — Foto: Reprodução/TV Globo


Outros presos na operação contra corrupção policial em São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo

De acordo com as investigações, os policiais investigados exigiam valores que chegavam a R$ 33 milhões para interromper inquéritos relacionados a crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. Conversas e áudios encontrados em celulares apreendidos indicam negociações diretas entre investigados e agentes públicos para evitar o andamento das apurações.


Transcrição de áudio encontrado em celular apreendido revela esquema de corrupção policial citando cobrança de R$ 33 milhões para trancar inquérito em São Paulo — Foto: Reprodução

Em uma das mensagens analisadas pelas autoridades, um dos alvos menciona uma transferência de R$ 33 milhões e afirma ter proximidade com um delegado que poderia intervir na investigação. Em outro trecho, uma mensagem aponta que um delegado teria recebido mais de R$ 20 milhões em propina.

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), identificou a participação de policiais ligados ao Departamento de Investigações Criminais (Deic) e ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Segundo a apuração, as cobranças de propina aconteciam em locais como o hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e também em delegacias da capital paulista, como o 16º Distrito Policial, na Vila Clementino, e posteriormente no 35º DP, no Jabaquara.


Numa troca de mensagens um dos alvos diz que um delegado já recebeu mais de R$ 20 milhões em propina, segundo investigação da PF e do MP de SP — Foto: Reprodução

Entre os nove presos estão quatro policiais civis — um delegado, investigadores e um escrivão — além de uma doleira, um advogado e outros suspeitos de atuar como intermediários no esquema. A Justiça autorizou ainda 11 mandados de prisão preventiva, 23 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados.


Troca de áudios e mensagens revela cobrança de R$ 5 milhões por parte de policiais para trancarem inquérito, segundo PF e MP de SP — Foto: Reprodução

Segundo as autoridades, o esquema funcionava basicamente de duas formas: policiais solicitavam relatórios de inteligência financeira para identificar alvos com alto poder econômico e, após intimá-los, cobravam valores para não dar andamento às investigações. Em outros casos, doleiros ofereciam propina diretamente aos policiais para interromper apurações. Há também indícios de destruição de provas e substituição de equipamentos apreendidos.

A investigação aponta ainda que o grupo utilizava métodos sofisticados para ocultar a origem do dinheiro ilícito, incluindo empresas de fachada, simulação de operações de importação e conversão de dinheiro em créditos de vale-refeição por meio de estabelecimentos fictícios.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e destacou que a instituição não compactua com desvios de conduta, afirmando que todas as medidas legais e disciplinares serão adotadas caso as irregularidades sejam confirmadas.

Durante agenda em Bauru, o governador em exercício Felicio Ramuth afirmou que o caso é pontual e não representa a corporação como um todo. Segundo ele, as investigações foram conduzidas em conjunto pela Corregedoria e pelo Ministério Público e o governo tomará medidas rigorosas contra os envolvidos caso os crimes sejam comprovados.