Um levantamento divulgado pelo site G1 neste sábado, 27, revelou um expressivo aumento no número de casamentos entre homossexuais nos cartórios das principais cidades do centro-oeste paulista. De acordo com dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), essas uniões dobraram nos últimos dez anos em municípios como Bauru (297 casamentos), Marília, Botucatu e Ourinhos (42 casamentos).
Em Ourinhos, por exemplo, foram realizados 42 casamentos homoafetivos nos últimos 10 anos, sendo que somente em 2022 foram celebrados 9 casamentos. Entre os 42 casais, 26 foram formados por mulheres e 16 por homens.
Desde a regulamentação da união homoafetiva no país em 2013, as celebrações têm apresentado um crescimento notável nas cidades da região. Em Bauru, Botucatu, Marília e Ourinhos, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo aumentaram respectivamente 135%, 288%, 200% e 125%. Bauru e Ourinhos, em particular, registraram altas consecutivas nos últimos três anos.
No entanto, é importante ressaltar que o aumento não foi constante ao longo de todo o período analisado. Todos os quatro municípios registraram queda no número de casamentos em 2020, ano em que a pandemia de Covid-19 teve início. Três deles também apresentaram redução nos registros antes da crise sanitária.
O marco de regulamentação do casamento homoafetivo completou dez anos no último dia 14. Em maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma resolução que garantiu aos casais gays o direito de se casar no civil, proibindo tabeliães e juízes de se recusarem a registrar essas uniões.
O aumento nos registros de uniões homossexuais não se restringe apenas ao centro-oeste paulista, abrangendo todo o Brasil. Segundo a Arpen, os casamentos gays registrados em cartório quadruplicaram no país, passando de 3,7 mil em 2013 para quase 13 mil em 2022.
Apesar do progresso observado, algumas vozes ainda apontam para a necessidade de avanços mais significativos. Para Roberto Francisco Daniel, o padre de Bauru que foi excomungado da Igreja Católica por defender a diversidade sexual, os avanços trazidos pela regulamentação ainda são lentos.
É interessante notar que, na soma dos quatro municípios analisados, houve mais celebrações entre mulheres (63) do que entre homens (42). Esse dado reflete a diversidade das uniões homoafetivas e demonstra que a luta pelos direitos e reconhecimento continua em andamento.
O aumento nos casamentos entre homossexuais no centro-oeste paulista é um reflexo das conquistas alcançadas nos últimos anos e sinaliza um caminho de maior inclusão e respeito às diversidades na sociedade.





