PF indicia Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro por coação a autoridades em processo do golpe e faz buscas contra Malafaia

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A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira, 20, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sob suspeita de coação a autoridades responsáveis pela ação penal do golpe de Estado. De acordo com o relatório, os dois também são investigados por tentativa de abolição do Estado democrático de direito, uma vez que suas ações teriam mirado diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional.

O inquérito revelou mensagens recuperadas de celulares apreendidos com Bolsonaro, que indicam tentativas de intimidar autoridades judiciais e de atrapalhar as investigações relacionadas ao golpe de 8 de janeiro de 2023. A PF apontou que o ex-presidente, mesmo submetido a medidas cautelares, seguiu produzindo e propagando conteúdos em redes sociais com ajuda de aliados.

Entre os citados está o pastor Silas Malafaia, alvo de buscas e apreensão nesta quarta-feira. Em julho, ele teria orientado Bolsonaro a “disparar” vídeos contra o STF. Apesar das citações, Malafaia não foi indiciado, mas prestou depoimento após retornar ao Brasil.

Mensagens extraídas do aparelho de Bolsonaro mostram ainda trocas de comunicação com Eduardo Bolsonaro. Em um diálogo de julho, o deputado destacou que a estratégia não era a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas sim assegurar impunidade ao pai, inclusive com apoio do ex-presidente americano Donald Trump, que recentemente impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros em meio às pressões contra o STF. Eduardo também orientou Bolsonaro a agradecer publicamente a Trump, além de reforçar sua atuação política nos Estados Unidos.

Outro ponto relevante da investigação é a descoberta de um rascunho de pedido de asilo político na Argentina, em que Bolsonaro afirma ser “perseguido por motivos políticos” e solicita abrigo ao presidente Javier Milei. O documento, sem data e assinatura, sugere que desde fevereiro de 2024 o ex-presidente planejava deixar o Brasil.

Situação jurídica
Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, em razão de indícios de coação no processo. O indiciamento desta quarta-feira ainda depende de análise da Procuradoria-Geral da República, que decidirá se apresentará denúncia formal.

Paralelamente, Bolsonaro já é réu em outra ação penal, que trata da tentativa de golpe de Estado. O julgamento no STF está marcado para o próximo 2 de setembro.
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