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PF pede afastamento imediato do prefeito de Jaú por suspeita de 'gabinete paralelo' e corrupção

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A Polícia Federal de Bauru (SP) pediu o afastamento cautelar imediato de Ivan Cassaro (PSD) do cargo de prefeito de Jaú (SP). A solicitação consta no relatório final de um inquérito que apura corrupção, organização criminosa e crimes eleitorais envolvendo o chefe do Executivo e outras 12 pessoas. As informações são do g1.

Segundo a PF, o afastamento busca evitar retaliações ou intimidação a testemunhas e colaboradores, já que o prefeito mantém poder de influência sobre os servidores públicos. Cassaro foi indiciado por corrupção passiva, organização criminosa e corrupção eleitoral. Esse é o segundo mandato do político, que venceu a disputa nas eleições municipais de 2024.

Em nota à TV TEM, o prefeito de Jaú informou que está com a "consciência tranquila" e classificou a denúncia como uma "perseguição pessoal e política" promovida por opositores após a sua reeleição. Veja a íntegra abaixo.

O chefe do Executivo destacou ainda que todos os esclarecimentos já foram prestados nos autos do processo e que não divulgará mais detalhes sobre a investigação porque o caso tramita em segredo de Justiça. (Veja a íntegra abaixo).

'Gabinete paralelo' e pagamentos via PIX
A investigação aponta que um
grupo informal foi estruturado na administração municipal para manipular o debate político e a opinião pública em Jaú. O esquema pagava comunicadores para exaltar a gestão e atacar adversários com desinformação.
  • Rede de páginas e rádio: radialistas, influenciadores e administradores de páginas regionais recebiam remunerações clandestinas em torno de R$ 1,5 mil por mês;
  • Extorsão de fornecedor: o responsável pelas obras do estádio municipal revelou, por meio de ata notarial com 24 áudios, que medições e pagamentos da obra ficavam travados na prefeitura até que ele fizesse repasses via Pix diretamente aos comunicadores indicados pelo gabinete;
  • Beneficiário final: conforme a polícia, todo o esquema funcionava para promover artificialmente a imagem de Cassaro e influenciar o eleitorado local.
Ao todo, 13 pessoas foram indiciadas no relatório final. São elas:
  • Ivan Cassaro, prefeito de Jaú;
  • Um secretário e um ex-secretário municipal;
  • Dois empresários;
  • Sete comunicadores;
  • A esposa de um dos comunicadores.
Operação Mídia Cativa
O esquema foi alvo da Operação Mídia Cativa, deflagrada em maio de 2026, quando agentes federais cumpriram 13 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) em Jaú, Dois Córregos (SP) e Nhandeara (SP).

De acordo com o inquérito, um ex-secretário coordenava os repasses financeiros clandestinos e cobrava as publicações. Já um secretário em exercício enviava pautas, vídeos e orientações editoriais sobre quem deveria ser elogiado ou criticado.

O que diz a prefeitura
Em nota oficial, a Prefeitura de Jaú afirmou que o caso corre sob segredo de justiça e que todas as manifestações serão apresentadas exclusivamente no processo judicial. A administração destacou que a nota também representa o posicionamento pessoal do prefeito Ivan Cassaro.

Nota enviada pelo prefeito
'Fui reeleito prefeito de Jaú com expressiva votação e elevado índice de aprovação popular. Permaneço sereno, de consciência tranquila e firme no compromisso de honrar a confiança que os jauenses depositaram em mim.

Não é a primeira vez que enfrento tentativas de perseguição pessoal e política promovidas pelo mesmo grupo de opositores que, inconformados com as derrotas nas urnas, insistem em tentar atingir minha honra, minha imagem e a legitimidade do meu mandato.

Já foram inúmeras tentativas por meio de processos e medidas judiciais, todas sem êxito. Aqueles que não conseguiram vencer a vontade popular nas urnas insistem em utilizar outros caminhos para tentar deslegitimar uma escolha democrática. Tenho plena confiança de que, mais uma vez, essas investidas não prosperarão perante a Justiça.

Todos os esclarecimentos já foram devidamente prestados nos autos, e minha defesa demonstrará a perseguição pessoal e política que venho sofrendo. Como o procedimento tramita em segredo de justiça, não divulgarei detalhes, em respeito às determinações legais.

Não permitirei que disputas políticas ou interesses de adversários desviem minha atenção daquilo que realmente importa: trabalhar por Jaú e honrar a confiança da nossa população.

Continuarei exercendo meu mandato com responsabilidade, determinação e a consciência tranquila. Meu compromisso é com a verdade, com a Justiça e, acima de tudo, com os jauenses.

A resposta aos meus adversários continuará sendo dada com trabalho, resultados e respeito à vontade soberana da população de Jaú".
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