PGR pede que investigação de Lulinha deixe o STF e seja enviada à primeira instância

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sejam remetidas para a Justiça de primeira instância. O argumento é que nenhum dos investigados possui foro privilegiado, o que, segundo a PGR, elimina a competência do Supremo para supervisionar o caso.

A informação foi confirmada à CBN pelo advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada na noite de quarta-feira (19), no Palácio da Alvorada.

Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha — Foto: Reprodução/Redes sociais


Investigação apura suposto tráfico de influência
O caso tramita sob sigilo no STF e é relatado pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino. Os inquéritos investigam a suposta atuação de Lulinha em um esquema de tráfico de influência envolvendo a Dataprev e o Ministério da Saúde, em parceria com a empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista e amiga pessoal do investigado.

Segundo documentos da Polícia Federal revelados pelo jornal O Globo, Roberta teria tentado intermediar a venda de mais de R$ 600 milhões em medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde. A proposta previa o fornecimento de mais de um milhão de frascos ao Sistema Único de Saúde (SUS) sem licitação, sob justificativa de uso emergencial.

PF investiga repasses financeiros
As investigações também apontam que Roberta Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, atualmente preso por suspeita de participação em desvios de recursos de aposentadorias e pensões. De acordo com a PF, o dinheiro teria como objetivo viabilizar a negociação dos medicamentos junto ao governo federal.

Outro nome citado é Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que confirmou ter recebido por mensagem um modelo de contrato elaborado pela empresária, mas afirmou não ter encaminhado o documento a integrantes do governo. A PF também identificou transferências financeiras entre Roberta e Marcola, que declarou que um pagamento de R$ 249 mil correspondia à quitação de um empréstimo pessoal.

Defesa diz que Lula orientou colaboração
De acordo com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, o presidente Lula orientou o filho a prestar todos os esclarecimentos solicitados pela Polícia Federal e ressaltou que “ninguém está acima da lei”. O defensor afirmou que não comentou detalhes da estratégia jurídica devido ao sigilo do processo, mas criticou o que classificou como um “vazamento seletivo e criminoso” de informações da investigação para fins eleitorais.

Oposição articula CPMI
Enquanto o pedido da PGR aguarda decisão dos ministros do STF, a oposição iniciou a coleta de assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). O requerimento, apresentado pelo senador Carlos Viana (PSD), propõe investigar a eventual atuação de Lulinha na intermediação de interesses privados junto a órgãos do Poder Executivo, além de apurar o envolvimento de Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes.

Se o Supremo acolher o pedido da PGR, a investigação continuará em andamento, mas passará a tramitar na Justiça Federal de primeira instância, sem alterar, por si só, o mérito das apurações.
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