Piloto e copiloto mortos em queda de avião no RS eram moradores de Itápolis; casal de Ibitinga também estava na aeronave

Casal de empresários organizava feiras de roupas e enxovais; vítima era mãe de trigêmeos.
Compartilhe:
Um avião de pequeno porte que caiu na manhã desta sexta-feira (3) em Capão da Canoa deixou quatro mortos. A aeronave atingiu um restaurante em uma área residencial, provocando explosão e mobilizando equipes de resgate. As vítimas foram identificadas como o piloto Nélio Pessanha, o copiloto Renan Eduardo Saes e o casal de empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 10h40, na Avenida Valdomiro Cândido dos Reis. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da queda, seguida de uma explosão. Apesar do impacto atingir o restaurante e imóveis vizinhos, não houve feridos entre moradores, que foram retirados em segurança. O estabelecimento estava fechado no momento da colisão.

Segundo as autoridades, a aeronave havia partido do estado de São Paulo e, durante a decolagem, teria colidido contra um poste próximo ao fim da pista antes de cair sobre o imóvel. O incêndio foi controlado pelas equipes, que seguem atuando na fase de rescaldo, enquanto o trânsito permanece interditado nas imediações. Além dos bombeiros, a Brigada Militar, equipes da prefeitura e da CEEE prestam apoio à ocorrência.

O piloto Nélio Pessanha era natural de Campos dos Goytacazes e morava em Itápolis, onde construiu sólida carreira na aviação. Ele atuou por mais de uma década no Aeroclube local, exercendo funções como chefe de instrução, coordenador de operações de voo e examinador credenciado pela ANAC. Nas redes sociais, informava que trabalhava como comandante de uma empresa de táxi aéreo com sede em Jundiaí.

O copiloto Renan Eduardo Saes, também morador de Itápolis, era engenheiro de produção formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e sócio de uma empresa especializada na compra e venda de aeronaves. Ele também atuava como piloto e tinha forte ligação com o setor aeronáutico.

As outras duas vítimas, Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, eram naturais de Ibitinga e conhecidos no meio empresarial, especialmente pela atuação no setor de eventos e feiras comerciais voltadas ao segmento têxtil. O casal viveu por muitos anos na cidade, reconhecida como a Capital Nacional do Bordado, antes de se mudar para Xangri-lá, onde passaram a expandir seus negócios na região de Capão da Canoa.

Eles estavam à frente de uma feira itinerante inspirada na tradicional Feira do Bordado de Ibitinga, considerada uma das maiores da América Latina no setor de enxovais. A iniciativa levava produtos e expositores para diversas cidades do Rio Grande do Sul, fortalecendo o comércio de vestuário e itens de cama, mesa e banho.

Juntos, eles não tiveram filhos em comum, mas formavam uma família com filhos de relacionamentos anteriores. Déborah era mãe de trigêmeos, e Luis, pai de um filho.

Em nota oficial, a Prefeitura de Ibitinga manifestou profundo pesar pela morte do casal, destacando a contribuição deles para o desenvolvimento econômico e social do município. A administração municipal também se solidarizou com familiares e amigos diante da tragédia.

As causas do acidente serão investigadas pelas autoridades competentes.