PM desaparecido em SP teria sido levado a “tribunal do crime”; carro é encontrado carbonizado e buscas seguem em Itapecerica da Serra

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A Polícia Civil e a Polícia Militar intensificaram as investigações para esclarecer o desaparecimento do policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, ocorrido na capital paulista. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, o PM tinha casamento marcado para esta sexta-feira (9) e está desaparecido desde a quarta-feira (7).

De acordo com as apurações, Fabrício, que estava de férias, teria se envolvido em uma discussão com um homem ligado ao tráfico de drogas, na zona sul de São Paulo, ocasião em que teria sido ameaçado de ter sua identidade revelada. Horas depois, ele voltou a se encontrar com o mesmo indivíduo em uma adega da região. Desde então, não foi mais visto.

As investigações avançaram após o veículo do policial, um Ford Ka, ser encontrado carbonizado na tarde de quinta-feira (8), em Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo. O carro passou por perícia, e o entorno do local passou a integrar o raio de buscas.



Durante diligências em um imóvel relacionado ao caso, policiais encontraram indícios de alterações recentes na estrutura, como telhas danificadas e substituídas, além de malas e bolsas arrumadas, o que pode indicar evasão dos moradores. A perícia técnica foi acionada e as buscas seguem nas imediações.

A investigação aponta que o policial teria sido levado a um chamado “tribunal do crime”. Três pessoas já foram presas por suspeita de envolvimento no desaparecimento. Um dos detidos relatou em depoimento que estava com Fabrício quando ambos foram abordados por um homem conhecido como “Gato Preto”, que comentou a repercussão da discussão envolvendo um policial. Segundo o relato, Fabrício demonstrou nervosismo e decidiu ir até uma área dominada pelo tráfico, conhecida como biqueira.

No local, eles teriam sido recepcionados por cerca de seis pessoas e imediatamente separados. Ainda conforme o depoimento, os criminosos questionaram se Fabrício estava armado e retiraram dois revólveres que ele portava. O declarante afirmou que ficou cerca de duas horas sendo interrogado em outro ponto da rua, enquanto o PM permaneceu sob o controle do grupo. Em determinado momento, um dos envolvidos teria dito que o policial seria morto. Ao ser liberado, o homem ouviu que Fabrício já estaria morto e notou que o veículo do PM não estava mais no local.

A polícia trabalha para confirmar se o policial militar foi, de fato, assassinado. Neste sábado (10), equipes da PM realizam buscas com mergulhadores na região do Parque Paraíso, em Itapecerica da Serra, onde o corpo de Fabrício teria sido jogado, segundo informações repassadas por um dos suspeitos presos. As investigações seguem em andamento.


Na sexta-feira (9), a Polícia Civil obteve imagens em Embu-Guaçu e recebeu denúncias de que um corpo teria sido desovado no bairro do Cipó. Na manhã deste domingo (11), um corpo foi encontrado em uma área de mata do município, e a suspeita é de que seja de Fabrício Gomes de Santana. Fontes policiais informaram que o corpo apresenta características semelhantes às do policial, além da presença de uma aliança. A confirmação oficial, no entanto, depende de reconhecimento por familiares ou de exame de DNA.

O local foi identificado a partir de uma denúncia anônima, e policiais chegaram ao endereço com o auxílio de cães farejadores. O caseiro do sítio onde o corpo foi encontrado foi preso temporariamente, conforme informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

As buscas mobilizaram mais de 80 agentes no sábado (10), com apoio de equipes de inteligência, cães e do Comando de Choque. Inicialmente concentrada em áreas de mata próximas à Represa de Guarapiranga, a operação foi ampliada e incluiu buscas dentro da água. Fabrício foi visto pela última vez nas proximidades da favela Horizonte Azul.

A Justiça decretou a prisão temporária de três suspeitos. Testemunhas relataram que o PM passou a madrugada em um bar dentro da comunidade e, durante uma discussão, teria se identificado como policial. Segundo os depoimentos, após a informação chegar aos líderes do tráfico, o PM deixou o bar, mas acabou sendo levado de volta à favela por ordem do crime organizado.
 
Imagens obtidas pela TV Globo mostram o carro de Fabrício circulando pela região no dia seguinte ao desaparecimento, seguido por um veículo preto pertencente a Gleison Dias. Na casa do suspeito, a polícia encontrou galões com cheiro de gasolina no porta-malas. Em depoimento, Gleison admitiu que acompanhou um homem identificado como Fábio, que conduzia o carro do PM até uma área de mata com o objetivo de incendiá-lo. O veículo de Fabrício foi encontrado queimado na quinta-feira, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Um dos investigados afirmou ainda que o corpo do policial teria sido jogado em uma área de difícil acesso, mas a polícia avalia que a informação pode ter sido fornecida para despistar as buscas. As investigações continuam para esclarecer todos os envolvidos e as circunstâncias do crime.