Polícia de SC conclui inquérito e aponta adolescentes por maus-tratos em casos dos cães Orelha e Caramelo

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A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que investigou a morte do cão comunitário Orelha e a tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, casos que causaram forte comoção na Praia Brava, região turística de Florianópolis. As apurações apontaram a participação de adolescentes nos dois episódios, caracterizando atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos a animais.

No caso de Orelha, que morreu no dia 4 de janeiro, um adolescente foi identificado como autor da agressão. Segundo a investigação, o jovem apresentou contradições em seu depoimento e omitiu informações consideradas relevantes pelos policiais. Diante disso, a Polícia Civil solicitou à Justiça a internação provisória do adolescente, que chegou a permanecer nos Estados Unidos durante parte do andamento do inquérito.

De acordo com o delegado Renan Balbino, responsável pelo caso, imagens de câmeras de segurança, testemunhos e outros elementos comprovaram que o adolescente esteve na praia no horário da agressão, contrariando sua versão inicial. “As imagens, as roupas e os depoimentos confirmam que ele estava fora do condomínio e na praia no momento dos fatos”, afirmou.

Laudos da Polícia Científica indicaram que Orelha sofreu um forte impacto na cabeça, possivelmente provocado por um chute ou por um objeto rígido. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados, sendo que um deles foi descartado da autoria após a conclusão das análises. A investigação envolveu mais de mil horas de gravações de 14 câmeras de monitoramento, além do uso de tecnologia de geolocalização.


Vídeo mostra adolescente indiciado por agressões ao cão Orelha saindo e voltando de condomínio no dia 4 de janeiro — Foto: Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina

Durante o retorno do adolescente ao Brasil, a polícia apreendeu peças de roupa que, segundo os investigadores, coincidem com aquelas vistas nas imagens do dia do crime. A estratégia de manter sigilo sobre detalhes da apuração teve como objetivo evitar a destruição de provas ou eventual fuga do suspeito.

Além do adolescente apontado como agressor, três adultos foram indiciados por coação no âmbito da investigação conduzida pela Delegacia de Proteção Animal. O inquérito foi encaminhado nesta terça-feira (3) ao Ministério Público de Santa Catarina, que agora analisará as medidas cabíveis.

No episódio envolvendo o cachorro Caramelo, a polícia identificou quatro adolescentes, que também responderão por atos infracionais análogos a maus-tratos. Assim como no caso de Orelha, os detalhes pessoais dos envolvidos não foram divulgados, em cumprimento ao sigilo previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Conhecido há cerca de dez anos pelos moradores da Praia Brava, Orelha era considerado um símbolo do bairro. Cuidado coletivamente por comerciantes e residentes, o cachorro era descrito como dócil e brincalhão, além de muito querido por turistas. “Ele era sinônimo de alegria, fazia parte da rotina de todo mundo”, relembrou a veterinária Fernanda Oliveira, que acompanhava o animal.

Moradores relataram choque e tristeza ao encontrarem o cão gravemente ferido. “Foi uma crueldade sem tamanho”, lamentou o empresário Silvio Gasperin. O bairro, que conta inclusive com casinhas instaladas para os cães comunitários, ficou marcado pela comoção e pelos pedidos de justiça.

Em nota, a defesa do adolescente apontado como agressor de Orelha afirmou que as informações divulgadas são circunstanciais e não constituem prova definitiva. Os advogados também alegam não ter tido acesso integral aos autos do inquérito e criticam o que chamam de exposição indevida do caso, afirmando que a defesa atuará para demonstrar a inocência do jovem.

Agora, caberá ao Ministério Público avaliar o material reunido pela Polícia Civil e decidir sobre os próximos passos do processo.