Polícia investiga possível depressão pós-parto em caso de bebê encontrada morta no Rio Pardo em Águas de Santa Bárbara

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A Polícia Civil de Águas de Santa Bárbara investiga se Amanda Christina Batista Rodrigero, de 31 anos, apresentava quadro de depressão pós-parto no momento em que entrou no Rio Pardo carregando a filha recém-nascida, de apenas 20 dias. A bebê foi encontrada morta na quinta-feira (19), às margens do rio.

Amanda foi presa na terça-feira (17), após imagens de uma câmera de monitoramento registrarem o momento em que ela caminha pela margem e entra na água com a criança nos braços. O Corpo de Bombeiros teve acesso às imagens, mas o vídeo não foi divulgado.

Segundo o delegado Paulo Sérgio Garcia, após a localização do corpo, o inquérito passou a apurar o caso como infanticídio — crime previsto no artigo 123 do Código Penal, caracterizado quando a mãe mata o próprio filho durante o parto ou logo após, sob influência do estado puerperal. A pena prevista é de dois a seis anos de detenção.

Em depoimento, a mulher afirmou que saiu de casa pela manhã com a filha e relatou ter ouvido uma “voz” dizendo que deveria tirar a própria vida. Conforme o delegado, ela teria decidido levar a criança junto ao entrar no rio, mas alegou que desistiu no trajeto. Ainda segundo o relato, a correnteza era forte e arrastou a bebê. A mulher disse que tentou resgatá-la, percorrendo cerca de um quilômetro ou mais pela margem, próximo à divisa com o município de Óleo, mas não conseguiu.

A Polícia Civil informou que o corpo da recém-nascida foi localizado por bombeiros na região de desemboque da lagoa de tratamento, aproximadamente 1,5 quilômetro abaixo do ponto onde a mãe teria entrado na água. A área foi isolada para perícia e, após os exames, o corpo foi liberado ao serviço funerário.

O delegado afirmou ainda que Amanda relatou estar sofrendo de depressão pós-parto. O marido dela, que também prestou depoimento, mencionou à polícia que há histórico de suicídio na família da mulher. Segundo a autoridade policial, essa informação reforçou a decisão de enquadrar o caso como infanticídio, considerando a possível influência do estado puerperal.

Moradores que viram a mulher dentro do rio acionaram o Corpo de Bombeiros. Ela foi encontrada com vida próximo à Ponte do Óleo, já no município vizinho, a cerca de 14 quilômetros do local onde entrou na água. Amanda foi retirada do rio por dois moradores e, em seguida, encaminhada ao pronto-socorro.

Após a prisão em flagrante, a mulher passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva na quarta-feira (18). Até a última atualização do caso, a defesa dela não havia se manifestado.