Policial militar da reserva é condenado a 26 anos e seis meses de prisão por matar servente e doméstica em Ourinhos

Júri popular aconteceu na noite desta quinta-feira, 15, no fórum de Ourinhos. Crimes aconteceram em 2020.
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O júri popular condenou, na noite desta quinta-feira, 15, no fórum de Ourinhos, a 26 anos e seis meses de detenção, o policial militar da reserva, Washington Luis Sá Freire Paulino, de 57 anos, pelo crime de duplo homicídio qualificado contra o casal; o servente Júlio Barbosa, de 40 anos e a doméstica Aline Aparecida Balbino de 31 anos. A defesa alegou legítima defesa, mas a argumentação não foi aceita pelos jurados, que condenaram Washington por duplo homicídio qualificado, pelo recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e uso de meio cruel.

Os crimes aconteceram na madrugada do dia 18 de julho de 2020, por volta das 4h, na Chácara Recanto do Paranapanema, no Jardim Itamaraty, nas proximidades da Usina Hidrelétrica de Ourinhos, quase na divisa dos estados de São Paulo e Paraná.

O casal foi assassinado com seis disparos de arma de fogo (três em cada) efetuados pela arma de Washington, um revólver calibre 38, que foi apresentado e apreendido pela Polícia.

De acordo com B. O. (Boletim de Ocorrência), registrado na CPJ (Central de Polícia Judiciária de Ourinhos), assinado pelo delegado Valdir Alves de Oliveira, foram apontadas divergências na cena do crime, ao comparar uma foto apresentada pelo autor e o que foi checado depois pela vistoria técnica.

Agora o policial da reserva retorna ao presídio militar Romão Gomes para cumprimento da pena. 

O que diz o histórico do BO

Washington estava fazendo reparos em uma chácara de sua propriedade em Ourinhos e trouxe Júlio de Marília para realizar a tal reforma.

Quarto onde estava o casal (Foto: Reprodução)

Júlio, depois de alguns dias trouxe para ficar consigo na chácara, a amásia Aline. No dia 17 de julho (dia anterior ao crime) eles estavam em um churrasco na chácara de um sobrinho do policial militar da reserva, local que eles dormem, houve uma discussão entre Washington e Júlio, mas sem produção de lesões corporais.

Mais tarde, o casal teria se recolhido ao quarto, para dormir e Washington teria ficado no quintal da chácara, perto do seu caminhão. Ao entrar na casa, para ir ao seu quarto, quando acionou a luz, o PM aposentado teria visto Júlio vindo em sua direção com uma faca na mão e então Washington efetuou um disparo com seu revólver calibre 38, que teria atingido o braço de Júlio, ao que os dois “entraram em luta corporal”, caindo no colchão do quarto, quando Washington teria efetuado mais dois disparos contra o tórax de Júlio e Aline teria se levantado do colchão e investido na direção de Washington com outra faca na mão, ao que Washington alega ter efetuado mais três disparos contra Aline, que teria caído no colchão. O policial ainda falou que tentou chamar o socorro, porém sem êxito diante da ‘falta de sinal de celular no local”, quando trancou a casa e foi até a casa do sobrinho e de lá foram para o 31º Batalhão da Polícia Militar em Ourinhos. Na corporação policial, Washington falou que havia matado Júlio e Aline e mostrou fotos do local do crime. Nas fotos o corpo de Aline estava coberto, deitada com a barriga para cima e sua cabeça estava apoiada no travesseiro, estando ao seu lado no colchão, uma faca maior.

Confira algumas situações que serão analisadas:

Quando Washington levou o policial militar para o local, chegando lá, a vítima Júlio estava deitado no colchão de barriga para cima, com o braço direito estendido, com uma faca encostada na palma da mão direita e com as pernas um pouco fora do colchão e Aline, não estava como na foto que foi apresentada por Washington ao PM. Ela estava descoberta, em posição “fetal”, lateral, com as costas apoiadas na parede, sendo que entre o seu corpo e a parede, estava a outra faca (que na foto estava ao seu lado no colchão).

De acordo com a vistoria, não havia sinais de luta no quarto e também em outros cômodos da casa.

“Esta equipe plantonista compareceu ao local com a equipe de perícias criminalísticas de Ourinhos/SP, encontrando os corpos das vítimas tal qual descrito por Silas, ou seja, a posição de Aline modificada em relação à primeira foto enviada pelo conduzido. No colchão havia manchas de sangue e uma pequena faca de cozinha "cravada", porém, apesar da aglomeração de objetos e sacos de roupas no quarto, não havia sinais de luta em outras partes do quarto, bem como em outras partes da casa”, diz o BO.

Enquanto que na casa foram encontrados utensílios domésticos simples, como taça de plástico e talheres em mau estado de conservação e limpeza, as facas que estavam próximas ao corpo das vítimas e supostamente usadas por elas, são armas brancas típicas, de pessoas que as adquirem para coleção e não uso rotineiro e estavam em estado de pouco uso e bem limpas.

“No quarto mais organizado da casa, que seria de Washington, foi localizada uma cápsula de calibre 38 no chão. No cômodo de entrada havia até duas taças plásticas e uma garrafa térmica íntegras sobre um micro-ondas, chamando atenção os talheres velhos que estavam na pia da cozinha, em mau estado de conservação, ao contrário das facas que estavam na mão de Júlio e atrás de Aline, armas brancas 'típicas de pessoas que as adquirirem para coleção e não uso rotineiro", ademais, apresentam, s.m.j, estado de pouco uso e limpeza em que se apresentavam”.

Sobre os disparos:

“Os corpos das vítimas apresentavam várias perfurações, semelhantes às produzidas por disparo de arma de fogo, na região do tórax e costas, Júlio com uma no antebraço direito e Aline com uma lesão semelhante a "raspão de projétil" na mão esquerda”.

Após analisar todas as versões, o delegado Valdir Alves de Oliveira ratificou a voz de prisão a Washington, que foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.

Os corpos das vítimas foram reconhecidos por familiares e foram encaminhados para Marília, após o exame necroscópico.

Fonte: BO 1259/2020

Caso mobilizou toda a Polícia no dia 18 de julho de 2020. Foto: Laperuta

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