Possíveis casos suspeitos não teriam feito testes para confirmar coronavírus em Ourinhos

Subnotificação é comum em pandemias como a do novo coronavírus, dizem cientistas. Países não têm capacidade para seguir orientação da OMS para teste em massa, o que dificulta detectar quem pode transmitir a doença.
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A subnotificação de casos que ocorre com a Covid-19 ao redor do mundo é comum em epidemias e pandemias, afirmam infectologistas. A orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que se faça testagem em massa e rastreamento de contatos, mas o Ministério da Saúde admitiu a falta de exames para todos no Brasil, como ocorre em boa parte dos países.

Por isso, o isolamento voluntário, que tem sido a orientação, é apontado como medida para conter o avanço do novo coronavírus.

- A subnotificação é comum em qualquer lugar do mundo. Os números exatos de casos são mais necessários para as autoridades entenderem a doença —, afirma o epidemiologista Roberto Medronho, professor da UFRJ.

Ourinhos

Falam em 18 casos suspeitos na cidade de Ourinhos. Mas quantos casos que podem ter chegado e nem sequer foram feitos testes para confirmar o coronavírus?

De fonte segura, o Passando a Régua teve acesso a informações de pessoas de Ourinhos que, no dia 2 de março, tiveram contato em uma viagem com um italiano, que testou positivo para o coronavírus. Nessa viagem pelo menos 10 pessoas eram de Ourinhos.

Ao retornar da viagem, já no dia 8 de março, uma dessas pessoas, foi até um médico particular aqui em Ourinhos, que pediu para voltar no dia 11 e ela voltou somente no dia 15, onde foi em um hospital particular e recebeu a informação que ela não poderia ser notificada, porque já estava no 13º dia, porém eles falaram que ela tinha 98% de chance de estar com o coronavírus.

A orientação que passaram a essa pessoa foi para ficar em isolamento por 20 dias, portanto, daqui três dias acaba a sua quarentena. Hoje ela está tranquila, porque o vírus não se manifestou com agressividade, mas e se ela tivesse algum problema crônico e a saúde já debilitada, será que teria a mesma sorte? Sem falar que nem teste ela fez para confirmar a doença, só fariam o teste em caso de morte.

Essa pessoa, que vamos manter em total sigilo, disse que até segunda-feira, 16, teve febre altíssima, porém teve diarreia na terça e quarta sem falar semana passada e alegaram que esse é um sinal de remissão, que a “doença” não é mais transmissível após o 10º dia.

“Agora esperar. Sei que 11 pessoas que tive contato teve essa “gripe” e uma dessas pessoas ainda está internada, em nenhum momento fizeram exame. Só nos resta orar e entregar nas mãos de Deus”, disse a pessoa que viajou com os filhos que também chegaram a ter sintomas e também não passaram por testes.

Até quando podemos confiar nos números de casos apresentados em Ourinhos? Quantas pessoas que nem sequer fizeram o teste e foram dispensadas para esperar em casa? O Passando a Régua está investigando e trará mais respostas sobre esta situação, que pode se agravar a qualquer momento na cidade.

Testagem em massa

Para o infectologista Alberto Chebabo, professor da UFRJ e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, a testagem em massa tem mais a ver com aspectos econômicos de cada lugar — Coreia do Sul e Cingapura, com centros urbanos concentrados e economia estável, recorreram à prática de teste em larga escala.

— Como podemos afirmar que os países africanos mais pobres não têm casos de coronavírus? Eles podem ter, mas com certeza não têm condições de testar — avaliou o infectologista.

Chebabo defende que apenas casos graves devem ser testados devido à incapacidade dos países em atenderem o crescimento da demanda.

Infectologistas ressaltam que a subnotificação não prejudica o tratamento dos doentes, mas atrapalha o combate à doença porque dificulta saber quem pode transmiti-la.

— A Covid-19 tem uma particularidade, que é o fato de que 80% das pessoas infectadas apresentarem quadros leves a moderados. Essas pessoas continuam transmitindo a doença —, diz Chebabo.

Segundo a estimava de um estudo publicado na revista “Science”, apesar de os pacientes que desenvolvem a doença serem duas vezes mais contagiosos, os assintomáticos são seis vezes mais numerosos, mas com propensão menor a infectar outras pessoas. Eles acabaram se tornando o motor que move a pandemia.

Para Ligia Bahia, médica sanitarista e professora da UFRJ, é preciso ter critério para teste.

— Se não podemos submeter todos a exames, é preciso ter clareza dos critérios usados pelas autoridades de saúde. A prioridade é diagnosticar, por meio de exame, todos os pacientes internados e também seus contactantes (parentes ou pessoas que tiveram contato direto). Essas pessoas precisam ficar em isolamento e seus contatos, rastreados — afirmou a médica sanitarista.

Sistema brasileiro

O Ministério da Saúde informou que atualiza diariamente os dados na plataforma IVIS, com números de casos. Secretarias estaduais de Saúde têm encontrado dificuldades para fazer as notificações, mas o ministério informou que a plataforma passou por instabilidade momentânea, o que está sendo solucionado.

A notificação é feita pela Rede Nacional de Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública (Rede CIEVS), que dispõe de diferentes meios para receber os casos de coronavírus e outros eventos de saúde pública. Os casos são comunicados pelos profissionais de saúde por telefone, e-mail e pelas plataformas FormSUScap e FormSUScap 2019-nCoV.

Fote: O Globo

Orientação passada pelos orgãos de Ourinhos são as seguintes: 

Para quem está com suspeita ligue para os telefones abaixo:

🔰CENTRAL CORONAVÍRUS
99617-7098
99903-2508
99872-4426
99846-9462
99862-7008
99888-7006

🔰FARMÁCIA CENTRAL


Alto Custo:
99891-8433
99858-0762


Processo Administrativo:
99891-4824
99898-1116

🔰ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA FAMÍLIAS QUE ESTIVEREM COM NECESSIDADE ALIMENTAR (Cesta Básica)

CRAS 1
3326-6764
99762-8357

CRAS 2
3324-2384
99832-2957

CRAS 3
3322-8846
99851-5800

CRAS 4
3335-3355
99603-8468