Preso na Operação Compliance Zero, “Sicário” de Vorcaro tem morte encefálica confirmada após atentado contra a própria vida

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Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” de Vorcaro, morreu nesta sexta-feira (6) após ter a morte encefálica confirmada. O óbito foi declarado oficialmente às 18h55, conforme informou a defesa do investigado em nota divulgada no início da noite.

De acordo com os advogados, o protocolo de morte encefálica foi iniciado por volta das 10h15 desta sexta-feira e encerrado no final da tarde, quando a equipe médica confirmou o falecimento. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará pelos procedimentos legais.

Mourão estava sob custódia da Polícia Federal na Superintendência Regional da corporação em Minas Gerais quando atentou contra a própria vida. A ocorrência aconteceu na quinta-feira (5), um dia após sua prisão durante a Operação Compliance Zero.

Diante da situação, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da custódia do preso. Segundo o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, toda a movimentação no local foi registrada por câmeras de segurança.

Segundo ele, “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados, sem pontos cegos”, o que deve auxiliar na apuração dos fatos.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada na quarta-feira (4) e investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. Entre os presos está também o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelas autoridades como líder da organização criminosa.

As investigações indicam que Mourão exercia papel central dentro do grupo. De acordo com os investigadores, ele seria responsável por executar ordens de monitoramento de alvos, realizar extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e praticar ações de intimidação física e moral contra pessoas ligadas às investigações.

Relatórios da investigação também apontam uma “dinâmica violenta” nas conversas trocadas entre Vorcaro e Mourão. Os documentos indicam que o suspeito atuaria como uma espécie de longa manus — expressão jurídica utilizada para definir alguém que age em nome de outra pessoa — na execução das ações violentas atribuídas à organização.

Ainda segundo os investigadores, há fortes indícios de que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Daniel Vorcaro como pagamento pelos serviços ilícitos prestados ao grupo.

A Polícia Federal segue investigando tanto o esquema financeiro quanto as circunstâncias do ocorrido durante a custódia do investigado.