Professora do Curso de Direito da UNIFIO publica tese de doutorado

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A professora Elisângela Padilha, Doutora em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), docente do Curso de Direito do Centro Universitário de Ourinhos – UNIFIO publicou sua tese de doutorado.

O livro “A criança intersexo: entre silenciamentos e a normalização compulsiva de corpos” lança um olhar multidisciplinar sobre as violações à autonomia da criança intersexo em um cenário no qual, a partir de um “design” heteronormativo, “fabricam-se” ou “recriam-se” corpos com o auxílio da tecnologia.

A obra dedica-se ao estudo de pessoas que nascem com a condição intersexo e que, por não possuírem uma anatomia idealizada a partir de parâmetros culturais binários, causam estranheza, levando-as à estigmatização e marginalização. À luz das perspectivas teóricas de Michel Foucault, a autora apresenta críticas ferrenhas ao saber médico que descreve a criança intersexo como alguém que precisa, com urgência, ter o corpo “corrigido”, “normalizado”, por intermédio de procedimentos cirúrgicos e terapêuticos.

A partir de censura e discriminação disfarçada de proteção, corpos infantis são mutilados nos centros cirúrgicos, com o intuito de que se encaixem em uma categoria “natural” e, então, não causem estranhamento social. É nesse contexto marcado por uma realidade multifacetada, que apresenta cicatrizes sociais sólidas e profundas, que a autora contesta a patologização da condição intersexo e reconhece que o momento é de rupturas com o discurso normalizador. Por seu conteúdo marcante e linguagem dinâmica, esta leitura torna-se obrigatória a todas as pessoas que desejam mudar esse cenário de invisibilidade, marcado por mutilações genitais, preconceito, desrespeito aos direitos da personalidade, dignidade humana e autonomia da pessoa intersexo.

A obra não apenas aponta os conflitos relacionados à pessoa intersexo de maneira multidisciplinar, mas, sobretudo, apresenta reflexões acerca de soluções viáveis a fim de impedir que crianças intersexo continuem sendo mutiladas em centros cirúrgicos.

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Com informações de Rose Pimentel Mader

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