Os painéis estavam em um ponto de grande visibilidade, nas proximidades do recinto onde foi realizada a 25ª Festa do Peão de Boiadeiro, entre os dias 16 e 18 de outubro.
A retirada, autorizada pela administração municipal, gerou manifestações de indignação e questionamentos sobre os motivos da medida. Em resposta divulgada neste sábado (24), a Prefeitura apresentou sua versão dos acontecimentos e afirmou que a apreensão ocorreu após o descumprimento de um decreto que regulamentava a publicidade no entorno do evento.

Empresas questionam retirada de outdoors que, segundo manifestação, estavam pagos
Em uma carta de indignação datada de 21 de outubro, foi questionada a retirada dos painéis publicitários, especialmente pelo fato de os espaços estarem, segundo o documento, devidamente pagos.
A manifestação destaca a importância econômica da Frutap e da Produtos Pérola para Bernardino de Campos, ressaltando a geração de empregos, renda e investimentos no município.
O documento também questiona por que os outdoors foram retirados sem que, segundo seus autores, houvesse informação sobre irregularidades que justificassem a medida.
“Essas empresas não são apenas anunciantes, são empresas que geram empregos, movimentam a economia local e contribuem para o desenvolvimento de Bernardino de Campos”, afirma a carta.
Os responsáveis pela manifestação cobram esclarecimentos e defendem que empresas que investem na cidade sejam tratadas com respeito e transparência.
Associação Comercial e empresários divulgam nota de repúdio
A repercussão aumentou após a Associação Comercial de Bernardino de Campos e empresas signatárias divulgarem uma nota conjunta de solidariedade à Frutap e à Pérola.
No documento, a entidade manifesta repúdio ao que classifica como destruição dos outdoors por determinação do Poder Executivo Municipal.
A nota destaca que as duas empresas possuem mais de 30 anos de atuação e foram fundadas por famílias de Bernardino de Campos.
Segundo a manifestação, Frutap e Pérola empregam, juntas, mais de 900 trabalhadores, contribuindo diretamente para a economia local e para o sustento de centenas de famílias.
A Associação Comercial também ressalta que as marcas têm atuação em diferentes estados brasileiros, ajudando a divulgar o nome do município nacionalmente.
Para a entidade, o episódio levanta questionamentos sobre segurança jurídica, respeito ao patrimônio e a forma como a administração pública se relaciona com o setor empresarial.
A nota pede esclarecimentos, apuração de eventuais responsabilidades e respeito à legislação, defendendo o diálogo entre a Prefeitura e os empreendedores.
Prefeitura afirma que decreto proibia publicidade não oficial em raio de 700 metros
Diante da repercussão, a Prefeitura de Bernardino de Campos divulgou, neste sábado (24), uma nota oficial assinada pelo prefeito Wilson José Garcia, apresentando esclarecimentos sobre a apreensão dos painéis.
Segundo a administração municipal, a medida teve como fundamento o Decreto Municipal nº 4.244/2026, editado para regulamentar a publicidade nas proximidades da 25ª Festa do Peão de Boiadeiro.
O decreto estabeleceu a proibição de propagandas não oficiais em painéis, outdoors e estruturas semelhantes em um raio de 700 metros do recinto do evento.
A Prefeitura afirma que a determinação tinha como objetivo garantir a organização, a segurança, a circulação de pessoas e veículos e a exploração regular dos espaços publicitários durante a festa.
A administração também cita como fundamento o Código de Posturas do Município, estabelecido pela Lei Municipal nº 1.951/2015.
Município afirma que empresa publicitária não apresentou licença regularizada
De acordo com a versão da Prefeitura, a fiscalização municipal identificou, em 15 de outubro, os dois outdoors instalados dentro da área de restrição.
Segundoa nota, a empresa responsável pela comercialização dos espaços publicitários não apresentou a licença municipal de instalação regularmente paga.
A administração afirma que houve uma tentativa de notificação para regularização, mas que a empresa publicitária teria se recusado a receber o documento.
No dia seguinte, 16 de outubro, o Município cobriu as propagandas com uma lona opaca, conforme previsto no decreto.
Entretanto, ainda segundo a Prefeitura, por volta das 19h daquele dia, a cobertura teria sido retirada pela empresa publicitária ou por terceiros ligados a ela, deixando novamente as propagandas visíveis.
A administração municipal sustenta que esse episódio representou o descumprimento da determinação administrativa e motivou a apreensão dos painéis.
Prefeitura diz que estruturas estavam deterioradas e nega retaliação
Um dos principais pontos de divergência envolve as condições em que os outdoors foram retirados.
Enquanto a Associação Comercial e os empresários criticam a destruição das estruturas, a Prefeitura afirma que os painéis se desintegraram durante a apreensão porque já apresentavam porosidade e avançado estado de deterioração.
Segundo a administração, essa condição foi documentada por fotografias e relatório de fiscalização anexados ao processo administrativo.
O Executivo também rejeitou qualquer interpretação de que a medida tenha representado retaliação contra a Frutap ou a Pérola.
Em sua manifestação, a Prefeitura declarou que respeita as empresas e suas marcas, afirmando que a fiscalização foi direcionada ao cumprimento das normas pela empresa responsável pela publicidade.
A administração argumenta que não poderia permitir a manutenção de publicidade considerada irregular ou o descumprimento do decreto municipal.
Prefeitura cobra devolução de lona e menciona possibilidade de multa
Outro ponto levantado na resposta oficial diz respeito à lona utilizada para cobrir os outdoors.
A Prefeitura afirma que o material pertence ao patrimônio municipal e teria sido retirado sem autorização.
Por esse motivo, informou ter solicitado formalmente sua devolução no prazo de cinco dias úteis.
A administração também mencionou a possibilidade de providências administrativas, civis e criminais para apurar responsabilidades e eventual prejuízo aos cofres públicos.
Segundo a nota, a legislação municipal prevê multas que podem variar de 120 a 600 Unidades Fiscais do Município (UFM) para as infrações apontadas.
As afirmações sobre a retirada da lona, a situação das licenças e as condições estruturais dos painéis fazem parte da versão apresentada pela Prefeitura e não representam, por si só, uma conclusão independente sobre eventuais responsabilidades.
Divergência envolve pagamento dos espaços e regularidade das licenças
Um dos pontos centrais da polêmica está na diferença entre as informações apresentadas pelas partes.
De um lado, a carta de indignação afirma que os espaços publicitários estavam devidamente pagos, questionando a justificativa para a retirada.
De outro, a Prefeitura sustenta que a empresa publicitária responsável não apresentou licença municipal de instalação regularmente paga, além de ter descumprido as restrições estabelecidas para o período da festa.
As duas alegações não tratam necessariamente da mesma obrigação: o pagamento pela utilização de um espaço publicitário não comprova, por si só, a regularidade de eventual licença exigida pelo Município.
Até o momento, os documentos apresentados não permitem esclarecer definitivamente essa divergência.
Episódio repercute após Festa do Peão
Na resposta oficial, a Prefeitura também destacou que a 25ª Festa do Peão de Boiadeiro, realizada entre 16 e 18 de outubro, transcorreu sem incidentes, segundo a administração, e registrou recorde de público.
O Executivo reafirmou que sua atuação teve como objetivo assegurar o cumprimento da legislação e negou qualquer intenção de prejudicar as empresas locais.
Já a Associação Comercial e os empresários defendem que o episódio seja esclarecido, com apuração de possíveis responsabilidades e respeito aos direitos das empresas envolvidas.
A controvérsia permanece concentrada na legalidade da instalação dos outdoors, no cumprimento do decreto municipal, na forma como ocorreu a apreensão e na responsabilidade pelos danos às estruturas.
O caso evidencia um conflito entre a fiscalização administrativa exercida pela Prefeitura e os questionamentos apresentados por representantes do setor empresarial de Bernardino de Campos.
Até o momento, não foram apresentados elementos suficientes para estabelecer de forma independente se houve irregularidade na atuação da empresa publicitária ou excesso na medida adotada pelo Município.
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