A Justiça manteve, durante audiência de custódia nesta sexta-feira, 4, a prisão do sargento da Marinha Aurélio Alves Bezerra, que matou o vizinho Durval Teófilo Filho com três tiros, na porta do condomínio onde os dois moravam, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. (confira o vídeo mais abaixo)
A juíza Ariadne Villela Lopes, da 5ª Vara Criminal, atendeu ao pedido do Ministério Público e converteu em preventiva a prisão em flagrante de Aurélio.
Pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, o militar foi indiciado por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. Na audiência, no entanto, o Ministério Público informou à Justiça que entende que a tipificação correta é homicídio doloso, ou seja, com intenção.
Em depoimento, o sargento afirmou que atirou ”para reprimir a injusta agressão iminente que acreditava que iria acontecer”.
O militar esteve na Delegacia de Homicídios às 7h45 de quinta-feira (3), pouco mais de nove horas após o crime, no fim da noite de quarta (2).
O corpo de Durval será enterrado na tarde desta sexta (4).
Aurélio declarou que “teve sua atenção voltada para um homem que vinha por de trás do carro” e que “se virou para trás e sacou sua pistola”.
“O declarante [Aurélio] acreditava que seria assaltado, pois Durval estava mexendo em algo na região da cintura, o que acreditava ser uma arma de fogo”, declara o termo.
“Pelo fato de estar armado, tornou-se imperioso antecipar-se, caso contrário o declarante poderia ser vitimado”, continua o documento.
O militar também disse aos policiais que seu carro tem película escura nas janelas. “Por estar chovendo, não conseguiu ver com precisão o que Durval estava segurando”.
Vídeo mostra tiros
‘Foi racismo’, diz viúva
Luziane Teófilo, mulher de Durval, disse que escutou os tiros. Ela afirma ainda que o marido morreu porque era preto.
“A minha filha, que tem 6 anos, estava esperando por ele. Imediatamente ela olhou pela janela e disse que era o pai dela”, narrou.
Luziane foi levada ao hospital. “A médica me falou que ele tinha sido alvejado por um vizinho que o confundiu com um bandido. Isso me deixou transtornada. Eu nunca pensei que isso fosse acontecer com um vizinho nosso”, contou.
Leia a íntegra do depoimento do militar
Nome: AURELIO ALVES BEZERRA
Inquirido, DISSE:
QUE ciente de seus direitos constitucionais, entre eles de ficar em silêncio, o declarante informa que ontem, 02FEV2022, por volta das 23h estava chegando em sua residência situada à Rua Capitão Juvenal Figueiredo, nº 1520, Colubandê, São Gonçalo/RJ. QUE o declarante retornava de uma viagem que teria feito ao Maranhão. QUE o declarante parou com seu automóvel Chevrolet Celta de cor preto em frente ao portão de seu condomínio. QUE o declarante não conseguiu abrir o portão, pois o seu controle estaria com defeito, portanto entrou em contato com a síndica para pedir que essa abrisse o portão, porém foi informado que ela não poderia abrir pois também estaria sem controle, diante do fato o declarante ligou para um vizinho e este estaria indo abrir o portão da garagem. QUE o declarante ressalta que não há porteiro no condomínio. QUE o declarante acredita que tenha ficado parado em frente ao portão durante aproximadamente 5 minutos até que do interior do veículo teve sua atenção voltada para um homem que vinha por de trás do carro, mais precisamente atravessando a rua indo aparentemente em direção do carro, pelo lado do carona, portanto o declarante, que estava sentado no banco do motorista, se virou para trás e sacou sua pistola Taurus calibre .40 e apontou para esse homem, agora identificado como DURVAL TEÓFILO FILHO. QUE o declarante acreditava que seria assaltado, pois DURVAL estava mexendo em algo na região da cintura, o que acreditava ser uma arma de fogo, portanto para reprimir a injusta agressão iminente que acreditava que iria acontecer, o declarante efetuou 3(três) disparos com sua pistola. QUE pelo fato de estar armado, tornou-se imperioso antecipar-se, caso contrário o declarante poderia ser vitimado. QUE os disparos ocorreram do interior do automóvel e com as janelas fechadas. QUE após o disparo, viu que DURVAL caiu ao solo, portanto desembarcou do automóvel e se aproximou do DURVAL. QUE o declarante perguntou se DURVAL estava armado, onde foi respondido que não. QUE o declarante olhou para as mãos de DURVAL onde não viu nada de suspeito, não sabendo identificar o que DURVAL estava segurando. QUE DURVAL disse que também era morador do condomínio. QUE diante do fato pediu ajuda aos vizinhos para que pudesse socorrer DURVAL. QUE DURVAL foi levado para o Hospital Estadual Alberto Torres, onde veio a falecer. QUE o declarante informa que por seu automóvel ter película escura nos vidros e por estar chovendo, não conseguiu ver com precisão o que DURVAL estava segurando. QUE o declarante não conhecia o DURVAL e não se recorda de já ter o visto no condomínio. QUE o declarante reside com sua esposa e informa que ambos não têm ou tiveram qualquer contato ou qualquer problema interpessoal com DURVAL ou seus familiares. QUE na localidade há uma alta incidência de crimes de roubo. QUE usuários de drogas costumam ficar pela localidade.
Nada mais havendo, mandou a Autoridade Policial encerrar o presente Termo que, lido e achado conforme, assina com o(a) Vítima.
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