Na tarde desta quarta-feira, 7, Campinas, no estado de São Paulo, confirmou o primeiro caso de contaminação pelo superfungo Candida auris neste ano. O paciente infectado é um bebê prematuro que está internado no Hospital da Mulher da Unicamp (Caism), e o diagnóstico foi realizado em 18 de maio.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, esse é o único caso registrado em São Paulo até o momento. A assessoria da pasta informou que todas as medidas de prevenção e controle foram implementadas pelo hospital, e a Vigilância Sanitária está monitorando a investigação e as medidas adotadas. A unidade de saúde poderá continuar realizando partos e atendimentos aos pacientes.
O bebê prematuro apresenta boa evolução clínica, apesar das condições associadas à prematuridade e baixo peso, conforme comunicado enviado pelo Caism. O hospital ressaltou que essas condições são comuns em recém-nascidos prematuros e não estão diretamente relacionadas à infecção pelo superfungo.
Desde a identificação do caso, o Caism tem realizado uma ampla investigação entre os outros pacientes do hospital e, até o momento, não registrou novos diagnósticos positivos para o fungo. Novos rastreamentos estão em andamento para confirmar o resultado prévio.
Como medida de redução do risco de disseminação do fungo, o hospital adotou a precaução de contato no tratamento de bebês que tiveram contato direto com profissionais que também tiveram contato com o caso fonte. O Caism destacou que, além do bebê contaminado, as demais crianças em precaução de contato não apresentaram resultado positivo para o superfungo
A instituição ressaltou a importância de iniciar essa medida diante da simples hipótese de infecção, pois ela contribui para conter a disseminação de patógenos e proteger pacientes e profissionais de saúde. O caso já foi notificado às autoridades sanitárias competentes para inclusão em boletins sobre o assunto.
Especialistas alertam que o Candida auris não representa risco para pessoas saudáveis, mas pode ser fatal para aqueles com sistema imunológico debilitado. O fungo foi identificado pela primeira vez no Japão em 2009 e se espalhou por países na Europa, África, Ásia, Oceania e Américas.
As regiões do corpo mais afetadas pelo Candida auris são os ouvidos, narinas, axilas e virilhas. Nesta fase, não há sintomas evidentes, mas um machucado, ferida na pele ou o uso de cateter no hospital podem proporcionar a entrada do fungo no organismo, alcançar a corrente sanguínea e causar uma infecção. Em casos graves, o fungo pode comprometer órgãos como coração e cérebro, resultando em febres, calafrios e agravamento de doenças que levaram o paciente ao hospital.
O primeiro caso foi identificado no Brasil em 2020, e neste ano há registro de surto em Pernambuco.
Cuidados
O Caism destacou que adotou outros cuidados sobre limpeza e orientações após confirmar o caso:
Limpeza e desinfecção do local de internação e dos equipamentos médico-hospitalares com produto à base de peróxido de hidrogênio;
Reforço da orientação das equipes assistenciais quanto às técnicas adequadas de higienização das mãos e de paramentação (luvas, toucas, aventais, etc.);
Realização de limpeza concorrente do local de internação no mínimo a cada 3 horas. Ou seja, em vez da limpeza terminal, feita após alta do paciente ou transferência dele para outra área, a concorrente é realizada durante a permanência do paciente no ambiente de cuidados de saúde;
Designação de artigos e produtos para saúde exclusivos para o paciente durante internação;
Redução do número de visitas ao bebê que teve contaminação. Os visitantes têm recebido reforço das orientações sobre higiene das mãos, uso de avental e luvas; as coletas de leite são na mesma sala onde a criança está internada, com a supervisão e orientação da equipe de enfermagem; e a movimentação dos pais dentro do hospital é mínima e indispensável.
Todo o conteúdo publicado no site, incluindo textos, fotografias, vídeos, artes, logotipos e demais materiais jornalísticos, é protegido pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal nº 9.610/98).
É expressamente proibida a reprodução, cópia, distribuição, retransmissão ou utilização total ou parcial de qualquer conteúdo deste portal sem autorização prévia e formal do site Passando a Régua.
A utilização indevida de material protegido poderá resultar em responsabilização civil e criminal, conforme previsto na legislação brasileira.
O compartilhamento de links das matérias é permitido, desde que preservada a autoria e a integridade do conteúdo.



