Clientes da região de Ourinhos que estavam em Marília na noite deste sábado (15) presenciaram uma cena de violência extrema no Supermercado Tauste Norte, na Avenida Pedro de Toledo. Por volta das 19h, o policial penal Gilson Junior dos Santos, de 50 anos, disparou diversas vezes contra o cliente Johnny Silva Sarmento, de 37 anos, segundo a Polícia Militar. A vítima foi socorrida ao Hospital das Clínicas e permanece em estado estável.
O que aconteceu dentro do mercado
De acordo com informações apuradas, equipes da PM foram acionadas pelo Copom após relatos de disparos de arma de fogo dentro do supermercado. Johnny foi atingido por três tiros — dois no abdômen e um nas costas. Enquanto uma equipe preservava o local para a perícia, outra seguiu ao hospital.
Testemunhas apontaram que o autor dos disparos fugiu em um veículo que foi localizado na casa de seu filho, na Rua Machado de Assis. No local, policiais encontraram o filho do suspeito, B., e um parente, S., que confirmaram que Gilson havia abandonado o carro em uma rua próxima, junto da esposa.
Versão da esposa
Em depoimento, E. I. dos S. afirmou que presenciou a discussão entre o marido e Johnny, que seria vizinho da família há 18 anos e já teria ameaçado Gilson anteriormente. Ela contou que Johnny provocou e fez ameaças de morte ao policial penal, sendo contido inicialmente por um segurança. Mesmo assim, teria voltado a avançar contra Gilson.
Elaine disse ter ouvido os disparos, mas não viu quem atirou. Abalada, foi deixada pelo marido em uma rua próxima, de onde foi levada pelo sobrinho Saulo até a casa do filho.
Versão do filho
O filho do suspeito, B. I. dos S., relatou que Johnny é conhecido por causar conflitos no bairro e que a briga com seu pai começou há cerca de 10 anos, após um desentendimento em uma fila de mercado. Ele reforçou que Johnny ameaçava frequentemente Gilson e que, no supermercado, teria partido para cima dele, levando o pai a reagir “em legítima defesa”.
Bruno também afirmou que Johnny costuma se envolver em brigas com vizinhos e que mantém um canal no YouTube onde grava vídeos “caçando fantasmas” com uma arma de brinquedo.
Investigação
A perícia foi acionada e as imagens das câmeras de segurança do Tauste serão entregues pela equipe do supermercado. Até o fim da elaboração da ocorrência, Gilson não havia se apresentado à polícia para prestar depoimento.
Dias depois, em 19 de novembro, o advogado do policial penal apresentou à Polícia Civil a arma supostamente usada no crime: uma pistola Taurus G2C, calibre 9 mm, além de um carregador, coldre e oito cápsulas intactas.
O caso foi registrado como tentativa de homicídio e será investigado em inquérito policial.



