Tentativa de homicídio na Vila Mano em Ourinhos revela cenário de violência doméstica e troca de tiros

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O que parecia ser um ataque unilateral contra um homem de 40 anos no último sábado, 28, na Vila Mano, ganhou contornos muito mais complexos nesta segunda-feira, 2. Novas informações apuradas pelo Passando a Régua junto às autoridades policiais revelam que o episódio foi, na verdade, um confronto armado motivado por agressões domésticas e vingança, resultando na prisão em flagrante dos dois envolvidos.

O Confronto e a Investigação
A Polícia Civil, sob coordenação do Delegado Seccional Dr. Manzano e com apoio da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), reconstruiu a dinâmica dos fatos. No local do crime, na Rua Prefeito Eduardo Salgueiro, foram encontradas sete cápsulas de pistola, marcas de sangue que se estendiam por quase dois quarteirões e danos em veículos e imóveis vizinhos, incluindo um pneu perfurado de um Jeep Renegade.

Imagens de câmeras de segurança foram cruciais para mudar o rumo das investigações. As gravações mostram a vítima, Anderson Antonio Soares, conhecido como "Nené Malandro", caminhando ferido pela rua, mas portando e ostentando uma arma de fogo logo após ser atingido.

Motivação: Violência Doméstica
O pivô do conflito seria uma série de agressões cometidas por Anderson contra sua ex-companheira, S. R. da S., de 36 anos. Segundo depoimento de S., Anderson a teria mantido em cárcere privado na madrugada do crime, agredindo-a com socos e puxões de cabelo em uma estrada de terra.

Pela manhã, Anderson exigiu a devolução de uma arma que S. guardava por medo. O irmão dela, Wellington de C. R., de 40 anos (conhecido como "Tiozão da Marcante"), decidiu ele mesmo entregar o armamento para proteger a irmã. No encontro, houve a discussão que culminou na troca de tiros.

Versões Conflitantes
  • Anderson ("Nené"): Alegou no hospital que Wellington chegou atirando e ameaçando sua mãe. Afirmou que pegou uma arma com o pai apenas para "intimidar" o agressor, negando ter disparado.
  • S. (Ex-namorada): Afirmou que Anderson já chegou armado ao encontro e que houve uma troca de tiros mútua entre ele e seu irmão, Wellington.
  • Polícia Civil: Diante dos vestígios e imagens, a autoridade policial reconheceu a ocorrência de duas tentativas de homicídio recíprocas.
Decisões Judiciais e Prisões
A Polícia Civil agiu com rigor diante da gravidade dos fatos e do risco à segurança pública:
  • Anderson Antonio Soares ("Nené"): Teve a prisão em flagrante convertida em representação por Prisão Preventiva. Além da tentativa de homicídio, ele responde pelos crimes no âmbito da Lei Maria da Penha. Seu histórico criminal, com condenações por tráfico e associação, pesou na decisão. Ele permanece sob escolta policial na Santa Casa.
  • Wellington de C. R.: Teve o estado de flagrância reconhecido e é considerado evadido. A polícia determinou sua imediata captura.
  • Apreensões: Foram recolhidos celulares (incluindo um com tela quebrada encontrado em um terreno) e vestígios balísticos que passarão por perícia.
O caso segue sob investigação da DIG para identificar o paradeiro das armas utilizadas, já que Anderson se comprometeu a entregar o revólver que portava, mas ainda não o fez.