Alexandre Zóio faz coletiva e fala de rombo financeiro de mais de R$100 Milhões nas Contas de Ourinhos e promete "Choque de Gestão" e Redução de Secretarias

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Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira, 6, no auditório da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (antiga SAE), o prefeito em exercício de Ourinhos, Alexandre de Araujo Dauage, conhecido como Alexandre Zóio (PL), apresentou um diagnóstico alarmante sobre a real situação financeira do município. O levantamento prévio aponta uma dívida de curto prazo acumulada em R$ 100.678.501,39, que deveria ter sido quitada até o dia 30 de junho de 2026.

Alexandre Zóio assumiu a chefia do Executivo interinamente
após uma determinação judicial que afastou o prefeito titular, Guilherme Gonçalves (Podemos), pelo prazo de 90 dias. Diante do cenário de colapso fiscal, a nova equipe anunciou um plano de recuperação emergencial que promete "cortar na carne", com demissões de comissionados, auditorias e a fusão de pastas.

No pronunciamento, o prefeito interino esteve acompanhado pelo secretário de Administração — que acumula a pasta de Finanças —, Leandro Moraes, e pelo advogado André Mello, ex-Procurador Geral do Município no início da gestão de Guilherme Gonçalves.

O Raio-X da Dívida: Onde está o dinheiro?
De acordo com os dados oficiais apresentados pelo secretário Leandro Moraes, o passivo de mais de R$ 100 milhões que asfixia o caixa da Prefeitura está dividido da seguinte forma:

 
Questionado sobre a origem do rombo, Moraes explicou que a administração anterior camuflou o déficit financeiro nos últimos anos utilizando recursos extraordinários.
"O que salvou o município em 2024 foi a outorga e os repasses da concessão da SAE. Se não fosse isso, o colapso teria vindo antes. Sabendo que em 2025 não haveria mais esse recurso, a gestão deveria ter reduzido despesas, mas fez o oposto: manteve contratos milionários de asfalto e obras, como o Parque Centenário, que o ex-prefeito (Lucas Pocay (PSD)) havia jogado a conta (da chamada 'Fonte 1' - recursos próprios) para o exercício seguinte. O município acumulou um déficit real total de R$ 240 milhões", afirmou o secretário de Finanças.
O Plano de Recuperação e Reforma Administrativa
O objetivo da nova gestão é regularizar a situação fiscal e equilibrar as contas até dezembro deste ano. Para isso, o Executivo já colocou em andamento o Decreto nº 8.188, de 1º de julho de 2026, que determina a revisão ampla de contratos e despesas, além do lançamento de um programa de regularização fiscal (REFIS) para reaver receitas.
A medida mais drástica será a Reestruturação Administrativa, cujo projeto de lei será encaminhado à Câmara Municipal nos próximos dias.
  • Redução de Secretarias: O número de pastas será enxugado das atuais 21 para apenas 14 secretarias. Um dos exemplos citados de otimização será a unificação da Secretaria de Obras com a de Serviços Urbanos.
  • Corte de Comissionados: A estrutura de cargos de confiança passará por uma limitação severa, fixando o teto máximo em 97 cargos comissionados — extinguindo centenas de cargos e funções gratificadas que inflavam a folha.
  • Critério Técnico: Para ocupar funções de chefia na nova estrutura, passará a ser exigida graduação de nível superior correlata. Os cargos de "secretário-adjunto" serão completamente extintos.


O ex-procurador André Mello ressaltou o tamanho do desafio: "Para equilibrar o caixa, Ourinhos precisará economizar ou ajustar algo em torno de R$ 15 milhões por mês daqui até o fim do ano que vem". Ele revelou, contudo, que auditorias iniciais na Saúde já miram uma economia imediata que pode chegar a R$ 4 milhões mensais sem prejuízo aos serviços.



Mudanças no Secretariado e Caos na Educação
Durante a coletiva, o prefeito interino confirmou a manutenção de quatro secretários da gestão anterior: Diógenes Correa Leite (Meio Ambiente), Danilo Ferreira Lima (Esportes), Maestro Jeferson Luis Bento (Cultura) e o Sargento Sérgio (Segurança Pública).

Para a pasta da Saúde, o convite oficial foi feito a André Mello, que avalia a proposta devido a entraves jurídicos específicos sobre o setor e compromissos particulares.

O anúncio de maior impacto foi o retorno de
Rodrigo Mendes para o comando da Secretaria de Educação, pasta descrita pelo governo como "em estado de colapso". Atendendo a questionamentos da imprensa sobre a precariedade das escolas para a volta às aulas, a equipe confirmou graves falhas de planejamento e falta de profissionais de limpeza.

"A alimentação está regularizada, mas o problema estrutural é gravíssimo. Há escolas com infestação de ratos e baratas na cozinha, e falta de auxiliares de serviços gerais porque havia desvio de função — pessoas contratadas para a limpeza que estavam trabalhando no ar-condicionado, enquanto pedreiros e encanadores limpavam as salas. Vamos convocar todos a retornarem aos seus postos de origem imediatamente", declarou Alexandre Zóio.

Próximos Passos e a Instabilidade Política
Indagado sobre a transitoriedade de seu governo e o risco de uma liminar reconduzir Guilherme Gonçalves ao cargo a qualquer momento, Alexandre Zóio demonstrou cautela, mas garantiu que as reformas não podem esperar.

"Podemos ficar aqui uma semana, 90 dias ou até o fim do mandato. Mas o choque de gestão e a reestruturação que estamos enviando para a Câmara são medidas institucionais. Quem quer que seja o prefeito depois precisará governar com essa nova realidade de austeridade se quiser salvar Ourinhos do buraco", concluiu o prefeito em exercício.
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