Cambará se revolta após segunda morte por picada de escorpião e vai às ruas em protesto

Compartilhe:
A cidade de Cambará, no norte do Paraná, está em luto e revolta. Em menos de três meses, o município registrou a morte de duas crianças por picada de escorpião-amarelo, e a falta de soro antiescorpiônico nos hospitais locais é o principal alvo da indignação popular. A morte mais recente é de Thaygo Henrique Bara Milani, de apenas 12 anos, que não resistiu ao veneno do aracnídeo e faleceu na última segunda-feira, 13.

A tragédia gerou um protesto em massa na tarde desta terça-feira, 14. Familiares, amigos e moradores de Cambará saíram do velório de Thaygo e marcharam em direção à Prefeitura, exigindo respostas e, principalmente, a presença do soro antiescorpiônico na cidade. O clamor da população por "soro" ecoou nas ruas, refletindo a frustração com as promessas não cumpridas pela administração municipal. Thaygo será sepultado nesta terça-feira, às 18h30, no Cemitério de Cambará.

Promessas e contradições: O drama do soro antiescorpiônico
O caso de Thaygo é um doloroso eco da morte de
Bernardo Gomes de Oliveira, de 3 anos, que também faleceu em julho por picada de escorpião-amarelo. Em ambos os casos, a família buscou atendimento imediato, mas não havia soro nos hospitais de Cambará.

A revolta da população é amplificada por um vídeo divulgado pelo prefeito Walcir Joaquim (PSD) em 2 de setembro. Na gravação, o prefeito comemorava uma conquista "inédita": a autorização para que o soro ficasse no município. No entanto, o atendimento a Thaygo, que ocorreu no último domingo, provou que o antídoto ainda não estava disponível. Relembre o vídeo abaixo.

Em nota, a Prefeitura de Cambará defendeu-se, afirmando que o atendimento a Thaygo seguiu todos os protocolos, com o soro sendo administrado por uma equipe do SAMU e da 19ª Regional de Saúde, vinda de outra cidade. A nota justifica a ausência do soro no município pela necessidade de cumprir protocolos estaduais, que exigem condições técnicas específicas, como câmaras frigoríficas e capacitação de profissionais. O município garante que está em processo de adequação, mas não forneceu um prazo para a conclusão.

O secretário interino de Saúde do Paraná, César Neves, endossou a posição da prefeitura, confirmando a necessidade de infraestrutura adequada para armazenar o antídoto. Ele informou que o soro foi aplicado em Thaygo em cerca de 1h30 após a picada, um tempo considerado dentro do padrão médico. Contudo, a população continua a questionar por que uma solução definitiva ainda não foi implementada, permitindo que tragédias como essa continuem a acontecer.

O vídeo abaixo mostra o prefeito garantindo que a cidade teria o soro: