Grande imprensa expõe suposto envolvimento de Dias Toffoli com resort de luxo, que teria até cassino, em Ribeirão Claro

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A presença da grande imprensa nacional colocou, nos últimos dias, o município de Ribeirão Claro, no Norte do Paraná, vizinho a Ourinhos (SP), no centro de uma polêmica envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Reportagens da Folha de S. Paulo e do site Metrópoles estiveram no Resort Tayayá, empreendimento de alto padrão localizado às margens da represa de Xavantes, para apurar o envolvimento do ministro com o complexo turístico e sua suposta ligação com o Banco Master.

Segundo o Metrópoles, o Tayayá, conhecido na cidade como o “resort do Toffoli”, abriga um cassino que oferece máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de cartas, incluindo blackjack, modalidade de jogo de azar proibida no Brasil quando envolve apostas em dinheiro. A reportagem relatou que os jogos funcionam com pagamento em dinheiro e que o acesso ao espaço ocorre sem controle rigoroso, tendo sido observada inclusive a presença de crianças nas áreas de apostas.



Embora o nome de Dias Toffoli não apareça formalmente em documentos do empreendimento, funcionários do resort teriam se referido ao ministro como proprietário. O local foi erguido por familiares do magistrado e, segundo a apuração, ações do hotel já foram adquiridas por um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Toffoli é relator, no STF, de investigações que envolvem a instituição financeira. O resort também teria sido vendido posteriormente a um advogado ligado ao grupo J&F, empresa cujos processos já passaram pela análise do ministro na Corte.

A reportagem aponta ainda que, no fim de 2025, o resort foi fechado para uma festa privada promovida por Toffoli, com a presença de familiares, convidados, artistas e do ex-jogador Ronaldo Nazário. Funcionários relataram que o evento mobilizou toda a equipe do hotel e que, na ocasião, o espaço de jogos teria sido inaugurado.



O Metrópoles destaca que, apesar de decisões do STF permitirem aos estados a exploração das chamadas “vídeo loterias” — voto acompanhado por Toffoli em julgamento de 2020 —, a prática de jogos de azar presenciais, como cartas com apostas em dinheiro, segue proibida pela legislação brasileira. Mesmo assim, repórteres afirmam ter sido convidados a participar de partidas desse tipo após o horário oficial de funcionamento do espaço.

O Resort Tayayá é frequentado com regularidade pelo ministro, que dispõe de uma residência no complexo e de embarcação própria no píer do local. Familiares de Toffoli também mantêm imóveis dentro do empreendimento, que conta com estrutura de luxo, diárias que chegam a R$ 2 mil e acesso facilitado por voos até Ourinhos, seguidos de deslocamento de helicóptero.

Procurado, o advogado Paulo Humberto negou a existência de jogos ilegais no resort, afirmando que as máquinas são autorizadas pela loteria do Paraná e que as mesas de cartas servem apenas para lazer dos hóspedes, sem apostas. O ministro Dias Toffoli não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.