Justiça concede liberdade provisória ao pirajuense “Lobo do Batel”, suspeito de chefiar golpe bilionário com investimentos clandestinos

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O influenciador digital José Oswaldo Dell’Agnolo, conhecido como “Lobo do Batel”, apontado como principal suspeito de chefiar um golpe bilionário por meio de um esquema financeiro clandestino, teve a liberdade provisória concedida pela Justiça Federal. A decisão foi tomada na quinta-feira (22) pela juíza Gabriela Hardt, da 23ª Vara Federal de Curitiba (PR).

Conforme a decisão judicial, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares consideradas mais adequadas ao caso. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de manter contato com outros investigados, acusados ou vítimas, além da vedação para exercer qualquer função no mercado financeiro ou realizar operações comerciais. José Oswaldo também está impedido de deixar a região metropolitana de Curitiba, deve permanecer em recolhimento domiciliar no período noturno e em dias de folga, além de cumprir prisão domiciliar.

Na fundamentação, a magistrada destacou que os crimes atribuídos ao investigado não possuem natureza violenta nem envolvem grave ameaça à pessoa. A juíza também considerou o fato de José Oswaldo ter sido preso em território nacional e próximo à área da operação da Polícia Federal, apesar de possuir propriedades em regiões de fronteira e constar na Difusão Vermelha da Interpol.

Foragido suspeito de fraude bilionária é encontrado com mais de R$ 1 milhão em espécie dentro de hotel de SC — Foto: PM/Divulgação


Natural de Piraju, no interior de São Paulo, José Oswaldo é investigado por envolvimento em um esquema de fraudes por meio de plataformas digitais de investimento, com vítimas em diversas regiões do país. No momento da prisão, realizada após informações de que ele estaria hospedado em um hotel no bairro Ilhota, os policiais apreenderam mais de R$ 5 milhões em dinheiro vivo, entre reais e dólares, além de relógios e aparelhos celulares.

Em nota enviada ao g1, a defesa do influenciador afirmou que ele nunca tentou fugir do sistema prisional e que o pedido de substituição da prisão preventiva foi apresentado cerca de 40 dias após a detenção, a pedido do próprio investigado. Os advogados também informaram que o Ministério Público Federal se manifestou favoravelmente à substituição da prisão, ressaltando que a decisão não implica impunidade e que José Oswaldo deverá atender a todas as convocações da Justiça.

Em Piraju, a Polícia Civil estima que o prejuízo causado pelo suspeito seja de ao menos R$ 250 mil. No município, que tem pouco mais de 30 mil habitantes, há seis boletins de ocorrência registrados por estelionato contra ele. Segundo a corporação, o valor já identificado supera o orçamento anual de três departamentos da prefeitura: Governo e Gestão, Planejamento e a Unidade de Controle Interno. José Oswaldo era considerado foragido desde agosto de 2025, quando foi registrado um boletim de ocorrência sobre seu desaparecimento na cidade.


Foragido suspeito de fraude bilionária é encontrado com mais de R$ 1 milhão em espécie dentro de hotel de SC — Foto: PM/Divulgação

As investigações também levaram à prisão de dois policiais militares de Santa Catarina, suspeitos de cobrar propina para não prender o influenciador. De acordo com a apuração, Bruno Israel dos Santos Czerwonka e Milton Prestes dos Santos Junior teriam ido até o local indicado por uma denúncia sobre o paradeiro de José Oswaldo e saído com cerca de R$ 500 mil e dólares. À época, a defesa dos policiais negou a apreensão de valores e questionou a consistência da acusação.

Seis dias antes da prisão de José Oswaldo em Itapema, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra grupos suspeitos de movimentar mais de R$ 1 bilhão em um esquema de instituições financeiras clandestinas. A ação resultou no cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão, no bloqueio de ativos que podem chegar a R$ 66 milhões e no sequestro de imóveis e veículos para garantir o ressarcimento das vítimas.

Segundo a PF, os investigados utilizavam empresas ligadas à área de tecnologia e um banco digital para captar recursos, oferecendo contratos com rentabilidade fixa, baixo risco e ganhos acima do mercado, alguns associados ao uso de supostos algoritmos e inteligência artificial. As investigações apontam que as empresas e o banco digital não possuíam autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem do Banco Central para operar. Após o colapso do esquema, os responsáveis teriam interrompido os pagamentos, deixado de prestar contas e passado a ocultar patrimônio.
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