Em postagem em sua página pessoal no Facebook, o preito de Ourinhos, Lucas Pocay (PSD), afirmou, na tarde desta terça-feira, 5, que sua gestão, no enfrentamento a Covid-19, foi aprovada, por pelo menos 101.322 mil habitantes de Ourinhos, ou seja, 88% da população, haja vista que a população ourinhense foi estimada em 115.139 habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A postagem foi simplesmente jogada no Facebook e não constam informações sobre o instituto que realizou tal levantamento, ou pesquisa, qual foi a amostragem usada, quantas pessoas foram consultadas, quando e onde ela foi feita. Portanto não há qualquer comprovação, até o momento, se a pesquisa foi realmente feita, ou é apenas um número fantasioso apresentado pelo prefeito, porém foi postado por uma autoridade que tem dever de não mentir, ou enganar o povo de Ourinhos. Portanto o Passando a Régua espera que toda metodologia usada para a chegar em tal porcentagem seja apresentada à população.

O que o Tribunal de Contas fala sobre a gestão Covid-19 em Ourinhos
Segundo os números divulgados pelo painel de Gestão de Enfrentamento da Covid-19, pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Ourinhos, somente este ano de 2021, até o fim de agosto, tinha gastado R$21,22 milhões no enfrentamento. R$ 1.591,71 por caso confirmado no ano. As despesas representam 7,77% da receita do município em 2021.
Até o último levantamento divulgado pela Prefeitura de Ourinhos, morreram 530 pessoas em decorrência da Covid-19. O índice de letalidade chegou a quase 3%, com mais de 96% de recuperados.
Só em 2020, quando a ocupação do hospital de campanha foi bem menor que nos últimos meses, a MAXXSAÚDE recebeu mais de R$7 milhões e 600 mil. No início a OS recebia R$915.262,97, por mês. O valor se repetiu nos meses de abril, maio e junho de 2020. Quando aconteceu o aditamento no dia 15 julho, renovando, por mais 45 dias, até o dia 30 de agosto, a Prefeitura chegou a emitir uma nota de empenho no valor de R$1.403.403,22 e renovou na sequência, de 31 agosto de 2020 a 30 de novembro de 2020, pelo valor mensal de R$915.262,97, porém, sem explicação, em 18 de setembro, em mais um termo de aditamento, alterou os valores desde 15 de julho até 30 de novembro, reduzindo em 2,4% o valor pago pelos serviços da OS, que caiu para R$ 892.976,03 (por mês), valor que foi mantido até o fim do ano, que terminou com o gasto de R$7.641.793,16, média de quase R$900 mil por mês. Valor empenhado só para a gestão do hospital, que em 2020 teve média de ocupação abaixo de 20% (clique a relembre).
Porém, virando o ano, o contrato com a MAXXSAÚDE foi mais uma vez renovado sem licitação e de janeiro a abril deste ano, foram várias notas empenhadas, chegando ao valor de R$3.568.966,99 (o equivalente a R$1.189.655,66 por mês). De abril até 1º de julho o contrato foi renovado, pelo valor mensal de R$888.976,03 por mês e agora foi reajustado para R$1.041.571,59, por mais três meses (confira a publicação acima).
É possível conferir todos os valores divulgados no Portal da Transparência do Município (clique aqui), porém não constam os detalhes de todos os gastos. Apenas referente aos três primeiros meses (abril, maio e junho de 2020), foi divulgado o TERMO DE APOSTILAMENTO, com a separação dos valores que foram gastos com Recursos Humanos, Locação de Equipamentos, Contratação de Serviços, Aquisição de Equipamentos, Medicamentos, Materiais e Insumos, Equipe de Suporte Operacional e Programa de Testagem. Quase a metade do valor total (R$ 2.745.788,91), naqueles três meses, que a ocupação foi mínima, foi gasta com Recursos Humanos (R$1.274.919,63).
De acordo com que a Prefeitura divulgou ao TC-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), até agosto, no hospital tinham 15 médicos, 11 enfermeiros e 30 outros profissionais, pessoal de enfermagem (exceto enfermeiros). Foram ao todo 50 leitos, que fechou no final de setembro.
Confira os serviços que eram de obrigação da OS responsável pelo hospital de campanha em Ourinhos:
a) Recepção da Unidade de Campanha;
b) Triagem dos pacientes, com equipe médica estruturada mediante parceria;
c) Remoção dos pacientes em caso grave para a Santa Casa de Ourinhos;
d) Aquisição de insumos específicos e medicamentos de uso geral e específicos;
e) Aquisição e recarga de cilindros de gases medicinais, máscaras e demais acessórios pertinentes;
f) Administração de farmácia da Unidade de Campanha, de estoque de medicamentos específicos para a COVID-19, dispensação de medicamentos aos leitos e reposição de estoque;
g) Realização de procedimentos diagnósticos diversos aplicados a tratamento de paciente Corona vírus;
h) Compra, dispensação e distribuição de EPIs específicos;
i) Expurgo de materiais/EPIs utilizados, segundo especificações da Vigilância Sanitária de Ourinhos;
j) Locação e/ou compra de equipamentos necessários destinados ao Hospital de Campanha, leitos de retaguarda e salas de estabilização;
k) Recebimento e dispensação de refeições (desjejum, colação, lanche da tarde, merenda e ceia);
l) Limpeza dos leitos e das áreas comuns do hotel, segundo especificações da Vigilância Sanitária Municipal de Ourinhos;
m) Vacinação H1N1 com modelo de aplicação a ser definido pela Secretaria Municipal de Ourinhos.
n) Realização de testagens.
Além de realizar os repasses para OS, a Prefeitura de Ourinhos também arca com o aluguel do hotel (cerca de R$47 mil reais por mês), alimentação (mais de R$30 mil por mês), lavanderia (R$10 mil por mês), entre outros serviços.
E algo que não está muito bem explicado é se a OS pagou ou não pelos serviços de todos os médicos com este valor repassado pela Prefeitura, ou se foi o município que também pagou, separadamente, a contratação de médicos, através de outra OS. O espaço está aberto para mais esclarecimentos.
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