A Universidade de São Paulo (USP) negou o recurso apresentado pela defesa de um aluno de Cerqueira César (SP) (cerca de 80 km de Ourinhos) que teve sua matrícula cancelada por uma banca julgadora, que não o considerou como pardo. Alison dos Santos Rodrigues, de 18 anos, teve sua autodeclaração contestada pela universidade, que alegou que ele não possui as características fenotípicas de uma pessoa negra.
Segundo a advogada da família de Alison, Giulliane Jovitta Basseto Fittipald, a USP justificou sua decisão com base na pele clara, boca e lábios afilados, cabelos raspados e outros critérios fenotípicos, alegando que o estudante não se enquadra no perfil de pessoa negra.
Alison desabafou sobre a situação, classificando-a como mentalmente desgastante e afirmando que sua vida foi impactada negativamente pela decisão da universidade.
O aluno havia sido aprovado na primeira chamada do Provão Paulista para o curso de medicina, mas teve sua matrícula cancelada após a banca julgadora não reconhecer sua autodeclaração como pardo. Desde então, ele não acompanha as aulas.
A USP explicou que a análise das fotografias é realizada por duas bancas de cinco pessoas, baseando-se apenas em fatores fenotípicos, como cor da pele, características faciais e cabelo. Se a foto do candidato não for aprovada na primeira avaliação, ela é enviada para uma segunda banca, garantindo uma dupla análise cega das fotografias.
A instituição ressaltou que todos os candidatos foram informados de que a matrícula estava condicionada ao resultado das bancas de heteroidentificação. No caso específico de Alison, a deliberação final foi enviada após o processo de análise das fotos e não aprovada pela maioria das bancas.
O estudante reiterou que sempre se autodeclarou como pessoa parda e afirmou ter ficado arrasado com a notícia do cancelamento da matrícula.





