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Postado em 07/11/2020 às 11:52

Jair Vivan destaca em sua crônica que antes as coisas eram feitas para durar e não descartar

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Derivados

Era de pau, de pedra, de couro, de ferro..., tudo muito resistente e também tudo tinha reparo, sempre cabia uma reforma, quase todo equipamento que escangalhasse tinha conserto.

Lataria de automóvel então, “bagaçava” o poste e quase não amassava, se desse um murro quebrava os dedos, mas não entortava, era feito para durar muito tempo.

Era muito mais seguro em caso de acidentes, perigoso mesmo era motocicleta, que como dizia um amigo mais velho "o para-choque é a cara do sujeito". Vi este perigo também na Romi Isetta (meio carro, meio Lambreta, com rodas pequenas) apresentada por aqui pelos irmãos Tojeiro da Vigorelli na Rua Paraná, era realmente uma inovação esquisita, inclusive meio feia, meio bonita, já começando dar um ar de descartável nos lançamentos inovadores.

Roupa dava até raiva, era de irmão para irmão, primo para primo e às vezes de vizinho, de tio que morria..., até rasgar de puído por tanto uso, sei de gente que usou bota para pé chato, sem ter este problema, só no aproveitamento da doação.

Sapato era o mesmo por muito tempo antes das solas vulcanizadas, chegava a sair de moda, recuperava várias vezes, colocava biqueira de aço, trocava o salto, meia sola e sola inteira, o coro chegava a rachar e a gente continuava usando, engraxou está novo.

Sexta feira no sapateiro fazia fila, todo mundo querendo para sábado e era só ele para atender, consertar, vender sapato consertado e abandonado pelo dono, receber e dar o troco, se quando chegasse ele estivesse com a boca cheia de tachinhas, com algumas já presas no beiço para ser pregadas à porrada de martelo no sapato já calçado no pé de ferro, nem adiantava, ele não iria nem falar, no máximo fazer um gesto para esperar, ou que não estava pronto.

Qualquer pedaço de pano tinha valor, até os sacos de mantimentos (farinha, arroz, açúcar...) eram aproveitados para fazer roupas.

Os tecidos eram comercializados nas diversas lojas, aqui tinha: Buri, Riachuelo, Jaraguá, Pernambucanas, MM, Casa dos Retalhos, Nossa Casa, outras e a Casa Líder que na onda da evolução virou Super G, representante das camisas Guararapes.

Minha mãe costureira de mão cheia e professora de corte e costura, hoje já  aposentada desta atividade, era muito requisitada em dias de bailes e festas importantes, concluindo os compromissos até em cima da hora e nós dávamos apoio tirando alinhavos ou correndo na Janda (até hoje em atividade e no mesmo lugar), buscar aviamentos e os botões cobertos, depois ela adquiriu seu próprio equipamento de cobrir botões e posso dizer que foi meu primeiro trabalho em home office.

Ganhei uma jaqueta de Nylon dupla face, um lado vermelho e o outro azul, além se ser eficiente na chuva barrava o vento que era uma beleza, começávamos a ter acesso à este fantástico produto que assim como o elastano (Lycra, Helanca), poliéster e outros que vieram para fazer parte de nossas roupas.

Com a entrada da matéria plástica no mercado (derivado das resinas de petróleo) que veio com tudo, substituindo em grande parte o uso do vidro e do papelão em nossas embalagens e da borracha, madeira, ferro, couro e tecido nas peças, utensílios e vestimentas, tudo foi ficando descartável e de pouca durabilidade.

A maior vantagem que vimos na época é que pudemos conhecer e ter acesso aos maravilhosos brinquedos e novidades da: Estrela, Trol, Atma, Fle-Xa..., que invadiam o mercado mudando os horizontes das próximas gerações.

Confira outras histórias:

O Grupão   Vendas e outros Comércios 

Cinema era Luxo   Donos da Rua     Dia de Baile  

Pela Vila Nova

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