Terceiro suspeito de latrocínio que matou professora aposentada em Ourinhos disse ser andarilho e que deixaria a cidade; veja o que cada investigado declarou

José Leandro dos Santos, conhecido como “Léo”, “Lê” e “Paraná”, foi localizado pela Força Tática no domingo (11). Ele admitiu ter ajudado a retirar objetos da residência, mas alegou desconhecer o crime e a morte da professora Adnéia Cota Peres, de 78 anos.
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A investigação sobre o latrocínio que vitimou a professora aposentada Adnéia Cota Peres, de 78 anos, em Ourinhos, teve um novo desdobramento no fim da tarde deste domingo, 11 de outubro. Policiais militares da Força Tática localizaram e prenderam José Leandro dos Santos, de 40 anos, apontado como o terceiro suspeito de participação no crime ocorrido na quinta-feira (8), na região da Barra Funda.

A prisão foi formalizada em flagrante na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Ourinhos. A autoridade policial também solicitou à Justiça a conversão da prisão em preventiva, considerando a gravidade do crime e o risco de fuga.

Com a detenção de José Leandro, os três homens identificados pela investigação como possíveis participantes do latrocínio foram presos. Os outros dois são Wesley de Almeida Alves, conhecido como “Beijinho”, e Luiz Alberto Ferreira Sobrinho, chamado de “Betão”.

Adnéia foi encontrada morta na tarde de quinta-feira (8), dentro de sua residência na Rua Olímpio Coelho Tupiná, na Vila Nova Christoni. O imóvel estava revirado, com gavetas e armários abertos e objetos espalhados.

O caso é investigado como latrocínio consumado, crime caracterizado pelo roubo que resulta em morte.

Terceiro suspeito tentou se identificar com outro nome durante abordagem
Segundo o boletim de ocorrência, desde a descoberta do corpo, equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil Municipal realizavam diligências para identificar e localizar os envolvidos.

Com as prisões de Wesley e Luiz Alberto, as buscas passaram a se concentrar no terceiro investigado.

Durante a apuração, os policiais receberam informações de que o homem procurado seria de baixa estatura, pele relativamente clara, sotaque peculiar e uma característica marcante na região do nariz.

No domingo (11), durante patrulhamento no bairro CDHU, uma equipe da Força Tática avistou um indivíduo com características semelhantes às descritas pelas testemunhas.

Ao ser abordado, o homem inicialmente afirmou se chamar “Cristiano”. Entretanto, segundo os policiais, ao ser questionado sobre o latrocínio, revelou sua verdadeira identidade: José Leandro dos Santos.

Ainda durante a abordagem, ele teria admitido participação na ação, mas alegado que permaneceu do lado de fora da residência da vítima.

José Leandro também declarou ser andarilho, estar na região de Ourinhos havia aproximadamente três ou quatro meses e que pretendia deixar a cidade o mais rapidamente possível.

Boné verde ajudou a relacionar suspeito aos depoimentos
Um detalhe observado durante a abordagem chamou a atenção dos policiais: José Leandro estava com um boné verde-claro.

O acessório correspondia a uma informação anteriormente fornecida por uma testemunha ouvida durante as investigações.

Segundo o registro policial, a testemunha relatou que havia emprestado um boné vermelho ao suspeito. Após o crime, ele teria retornado à residência dela sem o acessório e solicitado outro, recebendo então um boné verde.

A mesma testemunha já havia apontado José Leandro como um dos envolvidos na ação, afirmando que ele esteve em sua casa acompanhado de outros investigados, levando objetos que seriam provenientes da residência da professora.

Durante a prisão, os policiais apreenderam o boné verde, uma correntinha dourada e um cigarro eletrônico encontrados com José Leandro.

Os objetos foram relacionados à ocorrência para as providências investigativas cabíveis.

Suspeito disse que acreditava estar retirando objetos da casa da avó de Betão
Após ser conduzido à CPJ, José Leandro prestou depoimento, registrado por gravação audiovisual.

Sua versão apresentada na delegacia trouxe novos detalhes sobre a participação que ele admite ter tido na ação.

Segundo o boletim, José Leandro afirmou que foi convidado por Luiz Alberto, o “Betão”, para ajudá-lo a retirar objetos de uma residência que supostamente pertenceria à avó de Luiz.

O investigado declarou que acreditou nessa explicação e que não sabia estar participando de um crime contra a professora aposentada.

Durante o interrogatório, admitiu que pulou o portão da residência e transportou uma mochila entregue por Luiz Alberto.

Pelo serviço, segundo sua versão, recebeu R$ 50 em moedas e uma garrafa de vinho.

José Leandro também afirmou que Wesley, conhecido como “Beijinho”, teria permanecido em uma esquina durante a ação.

O investigado negou ter conhecimento da violência praticada contra Adnéia e sustentou que somente soube da morte da professora no próprio domingo (11), dia em que foi preso.

A versão apresentada na delegacia, entretanto, apresenta diferenças em relação ao relato inicial da abordagem, quando ele teria afirmado que permaneceu do lado externo do imóvel.

Essas divergências deverão ser examinadas pelos investigadores para esclarecer sua efetiva participação.

Delegado decretou flagrante e pediu prisão preventiva
Após analisar os relatos dos policiais, os depoimentos e as circunstâncias da localização de José Leandro, o delegado Dr. Marcelo de Assis Aliceda Filho decidiu formalizar sua prisão em flagrante pela suspeita de participação no latrocínio.

A decisão considerou que as buscas pelos envolvidos começaram logo após a descoberta do crime e continuaram até a localização do terceiro suspeito.

O delegado fundamentou a medida na hipótese de flagrante impróprio, prevista no artigo 302, inciso III, do Código de Processo Penal, que pode ser caracterizada pela perseguição iniciada logo após o crime e mantida de forma contínua.

A autoridade policial também destacou que a alegação de desconhecimento da morte da vítima não afasta automaticamente, nesta fase inicial, os indícios de participação na ação.

Para a investigação, ainda será necessário esclarecer a possível divisão de tarefas, o conhecimento de cada suspeito sobre o que acontecia dentro da residência e a responsabilidade individual pelo resultado fatal.

Além da prisão em flagrante, o delegado representou pela conversão da prisão de José Leandro em preventiva.

Entre os fundamentos apresentados estão a gravidade concreta do crime, a atuação conjunta dos investigados, a apresentação inicial de identidade falsa e a declaração de que pretendia deixar Ourinhos.

O suspeito permaneceu à disposição da Justiça para audiência de custódia.

Entenda quem são os três presos e o que cada um declarou
As investigações apontam para uma possível atuação conjunta dos três homens, mas a participação individual de cada investigado ainda precisa ser esclarecida.

Os depoimentos apresentam versões diferentes sobre quem entrou na residência, quem permaneceu do lado de fora e o que cada um sabia sobre a violência que resultou na morte da professora.

1. Wesley de Almeida Alves, o “Beijinho” — primeiro preso
Wesley foi localizado pela Força Tática na noite de quinta-feira (8), poucas horas depois da descoberta do corpo de Adnéia.

Segundo a Polícia Militar, ele estava no Centro Social Urbano (CSU) e teria tentado fugir ao perceber a aproximação dos policiais.

Durante as diligências, foi recuperado um aparelho celular Samsung Galaxy A03 identificado como pertencente à vítima.

Uma botina apreendida com Wesley também passou a integrar a investigação após a identificação de possível semelhança entre o desenho do solado e marcas encontradas na residência.

O que se sabe sobre sua possível participação: a investigação busca esclarecer sua relação com os objetos subtraídos e se ele participou diretamente da entrada no imóvel ou da violência contra a vítima.

O depoimento de uma testemunha aponta que Wesley teria se encontrado posteriormente com os outros dois investigados, ocasião em que teriam discutido a divisão do dinheiro encontrado em um cofre.

Na versão apresentada por José Leandro, Wesley teria permanecido em uma esquina durante a ação.

O que Wesley alegou: os documentos fornecidos não apresentam o conteúdo de um interrogatório de Wesley. Portanto, não é possível afirmar qual versão ele apresentou à Polícia Civil.

Na sexta-feira (9), a Justiça converteu sua prisão em flagrante em prisão preventiva.

2. Luiz Alberto Ferreira Sobrinho, o “Betão” — segundo preso
Luiz Alberto, de 38 anos, foi identificado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) como um dos possíveis participantes do crime.

Ele era vizinho de Adnéia e, segundo a investigação, conhecia a professora e sua rotina.

Após saber que estava sendo procurado, apresentou-se à Polícia Civil na sexta-feira (9), acompanhado de advogado.

O que Betão alegou: durante o interrogatório, Luiz Alberto admitiu ter participado de um plano para retirar objetos de uma residência, mas negou saber que a professora havia sido morta.

Segundo sua versão, ele havia se encontrado com um homem conhecido como “Lê” ou “Léo” e, após consumirem álcool e cocaína, decidiram furtar objetos para conseguir dinheiro e comprar mais drogas.

Luiz afirmou que permaneceu na calçada enquanto o outro homem entrou na casa e saiu carregando uma bolsa.

Também declarou acreditar que a residência estivesse vazia.

Posteriormente, admitiu que aguardava a venda do telefone celular da professora para receber parte do dinheiro.

O que se investiga sobre sua possível participação: por ser vizinho da vítima e conhecer sua rotina, Luiz Alberto pode ter contribuído para a escolha do imóvel.

Essa possibilidade, porém, ainda depende de confirmação pelas investigações.

Seu relato também é confrontado com a versão de José Leandro, que afirma ter sido convidado por Betão para retirar objetos de uma casa que supostamente pertenceria à avó dele.

Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas foram considerados pela Polícia Civil na formalização de sua prisão.

A autoridade policial solicitou a conversão da prisão em preventiva, mas o material apresentado não confirma se a Justiça já decidiu sobre o pedido.

3. José Leandro dos Santos, o “Léo”, “Lê” ou “Paraná” — terceiro preso
José Leandro, de 40 anos, foi localizado pela Força Tática no domingo (11), depois de três dias de diligências.

Segundo a polícia, ele inicialmente apresentou outro nome durante a abordagem, mas acabou confirmando sua identidade.

O que José Leandro alegou: o investigado afirmou que foi chamado por Betão para ajudar a retirar objetos de uma residência, sob a justificativa de que o imóvel pertenceria à avó dele.

Admitiu ter pulado o portão e carregado uma mochila, mas negou saber que se tratava de um roubo ou que uma mulher havia sido morta.

Também declarou ter recebido R$ 50 em moedas e uma garrafa de vinho.

Em sua versão, Wesley permaneceu em uma esquina.

O que se investiga sobre sua possível participação: a Polícia Civil busca determinar se José Leandro entrou na residência, quais objetos retirou, se teve contato com a vítima e se sabia da violência praticada.

O fato de ter admitido participação na retirada de objetos é considerado relevante pela investigação, mas não esclarece, isoladamente, sua eventual responsabilidade pela morte.

A autoridade policial também deverá confrontar suas declarações com as de Betão e das testemunhas.

Testemunha relatou que suspeitos levaram celular, alimentos e cofre para uma residência
Um dos pontos centrais da investigação é o depoimento de uma testemunha que teria recebido os suspeitos em sua casa após o crime.

Segundo o registro policial, ela relatou que Léo e Betão chegaram ao imóvel levando uma mala com alimentos, um telefone celular e um cofre, objetos que seriam provenientes da residência da professora.

Posteriormente, os dois teriam retornado acompanhados de Beijinho.

Nesse encontro, conforme a testemunha, os três teriam discutido a divisão do dinheiro encontrado no cofre.

O relato é importante porque pode ajudar a esclarecer a relação entre os investigados e o destino dos bens retirados da residência.

Entretanto, a presença dos três em um encontro posterior não permite concluir, por si só, quem praticou a violência que provocou a morte de Adnéia.

Polícia ainda precisa esclarecer quem entrou na casa e como ocorreu a morte
Com a prisão dos três investigados, a apuração deverá avançar para reconstruir a sequência completa dos acontecimentos.

Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a participação de cada homem na entrada e retirada dos objetos, a eventual divisão de tarefas e as circunstâncias da violência contra a professora.

As versões apresentadas por Betão e José Leandro atribuem a outros envolvidos parte das ações realizadas no imóvel. Nenhum dos relatos fornecidos esclarece de maneira definitiva quem praticou a agressão que resultou na morte da vítima.

A Polícia Civil investiga o caso como latrocínio consumado, previsto no artigo 157, parágrafo 3º, inciso II, do Código Penal.

A responsabilização de cada investigado dependerá do conjunto das provas e das decisões judiciais. As prisões e declarações prestadas durante a investigação não representam condenação definitiva.

O Passando a Régua continuará acompanhando os desdobramentos do caso, que provocou grande comoção em Ourinhos.

Fonte: boletins de ocorrência, informações da Polícia Militar, Polícia Civil e registros das investigações.
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