Com voto decisivo de “Zóio”, base de Lucas determina o fim da CPI da Delfim na Câmara de Ourinhos

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Os veadores da base aliada ao prefeito de Ourinhos, Lucas Pocay (PSD), rejeitaram, na noite desta segunda-feira, 21, o pedido de prorrogação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da “Delfim Verde”, na Câmara Municipal de Ourinhos. Com isso o relatório final da CPI, que foi instaurada, no dia 26 de maio, com intuito de apurar a denúncia feita pelo empresário Ricardo Xavier Simões, que apontou à Polícia Federal supostos pedidos de propina e possível tentativa de extorsão feitos a ele e seu sócio (já falecido), por agentes públicos, deverá ser emitido, sem ao menos ouvir um dos envolvidos na denúncia.

Para ser aprovado, o pedido de prorrogação precisava de apenas cinco votos (1/3), porém com nove votos contrários (o presidente não vota) e quatro favoráveis, o fiel da balança foi o vereador Alexandre Araujo Dauage “Zóio” (Republicanos), que divergiu do seu companheiro de partido e presidente da CPI, Cícero de Aquino “Investigador”, que na última sessão pediu o adiamento da votação da propositura, pois “Zóio” e Edvaldo Lúcio Abel “Vadinho” (PSDB) estavam ausentes e seus votos seriam cruciais, para se juntar aos votos de Flávio Luis Ambrozim “Flavinho do Açougue” (PL) e Dr. Salim Mattar (PSDB). Entretanto o adiamento foi em vão, “Zóio” se juntou a base de Lucas e praticamente decretou o fim da CPI.

Como justificativa para votar contra a prorrogação das investigações da CPI da Delfim Verde, os vereadores  da base de Lucas Pocay se agarraram firme no arquivamento do processo de “notícia de fato” pelo MP - Ministério Público, no dia 22 de julho, por achar que não havia justa causa para a instauração de inquérito civil.

Entretanto o arquivamento pelo MP, puro e simples, não iria interferir na investigação da CPI, que buscava justamente o que o MP precisa para instaurar o inquérito civil, provas e causas que possam comprovar as denúncias. Mas agora, com os vereadores jogando tudo para “debaixo do tapete”, a população de Ourinhos sempre ficará com essa dúvida e talvez jamais saberemos as respostas para estas perguntas: A denúncia tem fundamento ou não? Houve tentativa de extorsão? Pediram propina em nome do prefeito Lucas Pocay, aliados e até do seu pai Claury Alves da Silva?

Votaram contra a sequência das investigações:

Aliados de Lucas Pocay barraram mais uma vez a sequência da CPI da Delfim Verde (Foto: Reprodução)

Sobre a CPI

Formada pelos vereadores:

Presidente: Cícero de Aquino (Republicanos)

Relator: Edvaldo Lúcio Abel “Vadinho” (PSDB)

Membro: Alexandre Araújo Dauage (Republicamos)

Membro: Anísio Felicetti (PP)

Membro: Santiago de Lucas Ângelo (DEM)

Membro: Flávio Luis Ambrozim (PL)

Membro:  Caio Lima (DEM)

Trabalhos foram prejudicados desde o inicio

A bem da verdade, a CPI foi instaurada no dia 26 de maio, porém os trabalhados foram de forma incessante prejudicados. Logo na primeira semana ela ficou suspensa, quando nove vereadores da base do prefeito acataram o pedido do vereador Éder Mota (MDB), após  o servidor municipal da SAE (Superintendência de Água e Esgoto de Ourinhos), Márcio Roberto Fermiano apresentar uma denúncia contra o vereador “Vadinho”, afirmando que o vereador atentou contra o decoro parlamentar e supostamente teria armado uma falsa denúncia para prejudicar o prefeito Lucas Pocay (PSD) e aliados.

Com isso os vereadores da base conseguiram instaurar uma CP (Comissão Processante) contra Vadinho no dia 16 de junho. Porém Vadinho provou na justiça a ilegalidade da CP contra ele e se manteve na relatoria da CPI da Delfim Verde.

No dia 18 de junho Ricardo Simões se recusou a depor na CPI, devido à presença do advogado de um dos citados em sua denúncia.

Ricardo Simões se recusou a falar na CPI (Foto: Laperuta)

A CPI ficou praticamente parada até o fim de junho. No dia 3 de julho o presidente da CPI, Cícero Investigador emitiu uma nota em que afirmava que a CPI iria continuar através de coletas de documentos, com base no  Termo de Declarações prestado pelo empresário Ricardo Simões junto à Polícia Federal de Marília, ficando desnecessário, no momento, ouvir Simões, que se recusou a depor.

A Prefeitura de Ourinhos foi oficiada no dia 14 de julho para disponibilizar toda a documentação envolvendo as negociações feitas entre o poder municipal e o empresário, porém a Prefeitura só entregou o material, em CD de arquivo digital, no dia 25 de agosto. Portanto os trabalhos foram reiniciados somente três meses após a instauração na Câmara, ficando justificada a sua prorrogação.