E não foi desta vez que o empresário Ricardo Xavier Simões foi interrogado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da “Delfim Verde”, na Câmara Municipal de Ourinhos. Marcada para manhã desta quinta-feira, 18, os trabalhos da CPI foram prejudicados, após Ricardo se recusar a depor devido à presença do advogado de um dos citados em sua denúncia. Segundo falou o próprio Simões, o advogado estaria representando o secretário de Finanças, Osvaldino Araújo, que foi citado no depoimento do empresário à Polícia Federal.
“Não acho certo ele (advogado) participar do meu depoimento. Por isso tenho direito de me recursar a depor”, disse o empresário à imprensa presente.
Lembrando que Ricardo, em seu depoimento à PF, acusou o secretário de Finanças Osvaldino Araújo e o ex-secretário de Assuntos Jurídicos, Pedro Vinha Jr., de terem sido interlocutores de um pedido de propina que envolveria a doação de terrenos como moeda de troca para quitar débitos pendentes na Prefeitura de Ourinhos. A informação foi publicada pelo DEBATE de Santa Cruz e provocou a CPI, que foi aberta com base na matéria do jornal.
De acordo com o presidente da CPI, vereador Cícero de Aquino “Cícero Investigador” (Republicanos), a CPI seguiu o seu rito regimental. Convocou o empresário Ricardo Simões, ele compareceu, foi solicitado que ele tomasse o acento para iniciar a oitiva, Simões manifestou, recusando em depor devido à presença de um advogado de um dos citados em sua denúncia.
Diante disso, Cícero pediu que o depoente declarasse formalmente o que estava acontecendo, contudo, o empresário se negou. Em seguida, o presidente da CPI propôs que Ricardo Simões assinasse um termo contendo as razões de não querer depor, mas também foi negado. Com isso, a oitiva foi prejudicada e encerrada.
“O advogado do denunciado estava em seu direito em acompanhar os trabalhos da CPI e nós permitimos a sua permanência na sala”, destacou Cícero.
Agora o próximo passo é requerer judicialmente que Ricardo Simões seja intimido a depor e caso ele não compareça de livre e espontânea vontade, poderá ser feita a condução coercitiva, quando o interrogado é conduzido pela polícia para depor na CPI.
Testemunha chave de todo processo
Sem o depoimento do empresário Ricardo Simões, a CPI da “Delfim Verde” fica praticamente estacionada, já que Simões é a principal e talvez a única testemunha viva dos atos, que supostamente podem incriminar agentes públicos em Ourinhos.
Se o empresário simplesmente se recusar a depor e não conseguir dar sustentação para tudo que ele próprio disse à Polícia Federal no dia 15 de maio, as investigações podem simplesmente naufragar.
O seu interrogatório foi escolhido para ser o “marco zero” dos trabalhos da CPI. Ele será o ponto inicial da montagem de um grande quebra cabeça, que principalmente quer as repostas para as seguintes questões:
Teve corrupção? Se sim, quem foram os agentes que a praticaram? E se não teve, por que o empresário mentiu sobre os supostos pedidos de propina e tentativa de extorsão envolvendo o seu ex-sócio e a sua empresa, no processo de “Dação em Pagamento”?
O Passando a Régua acredita que o único que pode desvendar isso tudo é o próprio empresário. Pois se ele tem as provas; documentos ou gravações, além do que já foram expostas, que as apresente o quanto antes e deixe a justiça fazer a sua parte e punir os culpados.
Mas se ele não tem as provas para dar sustentação a sua declaração inicial, então admita. O que não pode é falar que não denunciou ninguém e que simplesmente não era aquilo que queria falar à Polícia Federal. Já que ninguém em sã consciência procuraria um órgão de tamanho calibre como a Polícia Federal sem ter no mínimo uma prova que possa incriminar os denunciados. Procuraria?!
Não existe mal entendido quando se tem certeza que foi vítima de um crime. Basta agora ajudar os órgãos constituídos, como a Câmara Municipal de Ourinhos, através da CPI, a própria Polícia Civil, a encontrar os criminosos e aprofundar às investigações.
Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.
Relembre todas as matérias que falam sobre o tema:
- Prefeito de Ourinhos Lucas e aliados são denunciados na PF por suposto pedido de propina
- CPI do “suposto pedido de propina à Delfim Verde” é instaurada na Câmara Municipal de Ourinhos
- Site do grupo Globo repercute denúncia de suposta extorsão envolvendo o prefeito de Ourinhos
- Em entrevista, Ricardo Simões diz: “não denunciei ninguém, noticiei um fato” e pede: Renuncia Lucas!!
- Ricardo Simões afirma ter procurado a Câmara para denunciar, mas não teve retorno
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Jornal pede investigação de prefeito Lucas e diz que querem desmoralizar empresário Ricardo Simões
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CP contra Vadinho é instaurada e será formada por Éder Mota, Salim Mattar e Flavinho do Açougue
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CPI da Delfim Verde é retomada e interroga Ricardo Simões nesta quinta-feira, 18



